segunda-feira, 31 de março de 2008

“Revez s’il vous plâit”: sonhe, por favor



Alan Viana e Jackson Just vivem
fábula às avessas em sarau itinerante

Texto: Sandro Gomes
Fotos: Pedro Guerra

Imperceptível e espontaneamente, eles “reescreveram” o enredo de “A Cigarra e a Formiga”, uma das fábulas mais conhecidas do poeta francês La Fontaine. Suas estórias de vida encaixam-se com perfeição às personagens, porém ao avesso. De um lado a formiga, vivida pelo poeta performista Alan Viana, de 19 anos. De outro a cigarra, encarnada pelo músico e compositor Jackson Just, 40. Tudo aconteceu no dia 25 de março, durante a abertura do primeiro Sarau Itinerante, realizado no hotel Le Canard, numa promoção da Biblioteca Rolf Colin, a segunda maior do Estado.
Na obra de La Fontaine, a formiga trabalha o verão inteiro para garantir o sustento durante o inverno. Já a cigarra não pensa em outra coisa senão em cantar e dançar. Até que o inverno vem e traz o desespero, obrigando a cigarra a pedir ajuda à formiga para não morrer de fome e frio. “Eu cantava noite e dia, toda hora”, queixava-se a cigarra. “Bravo! Se cantava, dance agora”, bronqueava a formiga.
Durante o sarau, Viana declamou com maestria a versão original da fábula, em português e francês. Porém, mal sabia o poeta performista que estava prestes a transformar-se num personagem fabuloso. Por seu aspecto físico, magro e com óculos de generosas lentes, metaforicamente o jovem faz lembrar a esforçada formiga. A semelhança é mais forte no esforço e dedicação.
Autista, o garoto decorou todo o texto da apresentação numa única tarde de estudos, apesar de não dominar o idioma francês. Um minuto após a declamação, ainda emocionado com os aplausos da platéia, Viana encontrou-se com sua professora de francês. Fabiane Fiamoncini acabara de chegar e não viu o desempenho do aluno. Entre lamentos e desculpas, confirmou orgulhosa: “ele fez tudo isso em uma tarde”.
“Crônicas de um autista” marcou sua primeira apresentação no sarau, em 2006. Desde então Alan apresenta “suaves parcelas” de seu “universo”. Dedicado, passou no vestibular da Univille para Letras. Por falta de condições financeiras, não se matriculou. “Foi tempo perdido”, disse. Mesmo assim, feito a formiga que nunca desiste, ensina: “Revez s’il vouz plâit”, ou seja, “sonhe, por favor”.

A vez da cigarra


Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que Alan Viana declamava, no fundo do auditório do Le Canard o músico e compositor Jackson Just dava entrevista sobre o bom momento que vive em sua carreira. Feito a cigarra de La Fontaine, ele também “dançou”, porém de felicidade. Aos 40 anos, foi o primeiro colocado no Canta Giro, terceiro maior festival de música da Itália, onde reside atualmente.
Jackson nem precisou bater no formigueiro para receber ajuda. O prêmio caiu do céu. Como faz há anos, ele cantava em uma casa de show na cidade italiana de Belluno. Na platéia, o compositor Carmine Caprera o observava. Ele gostou do estilo de Jackson e após a apresentação disse que presentearia o joinvillense com uma composição especial, para que participasse do festival.
A música era Cerca L’amore - À procura do amor. Jackson cantou e ganhou. A conquista saiu em matéria especial na revista internacional Free Time, nas páginas centrais, em duas edições consecutivas. Graças ao feito, ocorrido em agosto de 2007, o músico foi convidado para participar do Festival San Remo, o principal da Itália, realizado no dia 28 de fevereiro.
Com o sorriso nas antenas, Jackson veio a Joinville para passar a Páscoa com a família e ajustar detalhes na gravação de um Cd em italiano, com 12 canções inéditas, no qual irá investir R$ 75 mil. Uma das compositoras é Mariela Nava, que compôs Per Amore, gravada por Zizi Possi.
Nesta terça-feira, 1° de abril, ele retorna à Itália, onde divide seu tempo entre a música e o trabalho numa agência de recursos humanos que representa brasileiros. Para mais informações sobre a cigarra, digo, músico, acesse o site www.jacksonjust.com.br.

Mais artistas - Além da fábula às avessas protagonizada por Jackson e Alan, outras atrações foram oferecidas ao público. A Sociedade Lírica de Joinville trouxe uma dança folclórica alemã. Na seqüência foi a vez da alma sensível de Angelina Domingues expor seu dom para a poesia. Ilka Denk, fundadora da Aplaj - Associação dos Artistas Plásticos de Joinville falou sobre suas andanças pelo Brasil e o fotógrafo autodidata Jorge Silva recobriu uma parede do auditório com algumas de suas películas. Em abril o sarau será realizado no Circollo Italiano; em maio, provavelmente na Sociedade Lírica, com ênfase à cultura germânica e em junho no Kibe’s, apenas sobre a cultura árabe.


Grande biblioteca
Com 47 mil livros e cerca de 600 visitantes diários, a Biblioteca Rolf Colim é a segunda maior de Santa Catarina. Perde apenas para a Biblioteca Pública de Santa Catarina, de Florianópolis. Fazer a divulgação do acervo é um dos objetivos do Sarau Itinerante, que pela primeira vez acontece num espaço alternativo, conforme a coordenadora Alcione Pauli.
Desde 2003 o evento é realizado nas dependências da biblioteca, com a participação de parceiros como Circollo Italiano, Fundação Cultural, Aliança Francesa, Casa da Cultura, entre outros. “O sarau também é uma forma de fomentar a cultura e até mesmo a própria leitura”, diz Alcione.
Alcione reconhece que no acervo da Rolf Colin há livros-mofos, mas que mesmo entre estes há muita coisa boa. “Tem gente que vem de Florianópolis para pesquisar em nossa biblioteca, que é referência em filosofia e história, por exemplo”, afirma. Já o diretor da biblioteca, Reginaldo Jorge, lembra que cada leitor pode tirar até quatro livros por dia.

Borboleta triste
“O Sino” chegou ao hotel Le Canard às 19h45, 15 minutos antes de iniciar a programação do sarau. Na recepção do hotel, duas jovens com trajes germânicos aguardavam a chegada do restante de seu grupo, da Sociedade Lírica, outra atração da noite. Dezoito degraus abaixo, nula ante-sala, visitantes assinavam o livro de presença. Entre elas uma jovem com uma borboleta tatuada nas costas. Rosemeri Alves de Castro, da Biblioteca Rolf Colin, recepcionou a reportagem. Logo uma figura exótica apareceu: “Eu vi o e-mail e me organizei”, disse Cid Santana, um “amadoristicamente declamador”, como ele se auto-intitula. “Você não imagina como estou feliz com a sua presença em nosso primeiro sarau”, disse Rosemeri ao declamador. “Queria ter pescado um poema, em francês; um Vitor Hugo...”, respondeu Cid, com ar descontente por apenas estar na platéia.
Foto 1 - Alan Viana interpreta a fábula "A Cigarra e a Formiga", de La Fontaine
Foto 2 - Jackson Just exibe matéria publicada nas páginas centrais da revista Free Time, sobre sua conquista no festival Canta Giro
Foto 3 - Reginaldo Jorge e Alcione Pauli, da biblioteca Rolf Colin, recepcionaram os visitantes

O Cartão-postal transformado em ponto de tráfico.

Por Carolina Raquel da Veiga


O consumo e a venda de drogas ilícitas é o que o morador de Joinville ou o turista encontrará ao visitar a Rua das Palmeiras durante a noite. Três mulheres em uma das residências abandonadas na lateral da Rua ilustram essa situação. Uma delas falou que vai ao local, às vezes, apenas para conversar com amigas, que estavam “fumando um baseado” na hora e que “não briga com ninguém”, enquanto a outra preparava, sem constrangimento, o alumínio que seria utilizado para consumir o crack.
A terceira, chamada Lívia declarou: “Moro na rua porque meu marido me trocou por outra. Estou grávida. Não faço mal pra ninguém. Só dormi duas noites nessa casa. Quando não estou aqui durmo na praça, nos bancos. Se ele me buscar paro de usar por eles, por meus filhos e por meu marido”.
Apesar da situação o cartão postal ainda é ponto de encontro de namorados e amigos, e serve também como ponto do comércio, já que se localiza na região central da cidade. Há uma galeria de lojas na lateral, onde são encontradas lojas de vestuário, de bijuterias e semi-jóias, lanchonetes, esotéricas e um salão de beleza.
O casal Luan Michel Trento, 20 anos, e Graziele dos Santos Rieper, 19 anos, disse achar desconfortável dividir o ponto turístico com traficantes e dependentes químicos. Sentem-se inseguros, já presenciaram brigas entre os usuários e viram pessoas sendo presas em batidas policiais.
Josiane do Rosário, 37 anos, tem um salão de beleza na lateral da Rua das Palmeiras e reclama da falta de segurança durante a noite. Diz que quando o salão fica aberto até tarde sente-se insegura, uma vez que sua porta é voltada diretamente para a Rua, que tem pouca iluminação. O consumo de drogas é visível e quando perguntada sobre o policiamento, Josiane disse ter visto o GRT (Grupo de Respostas Tática) somente durante o dia quando, segundo ela, o tráfico e o consumo não acontecem. João Antonio Vieira, 60 anos, é gari e trabalha durante a noite no local. Disse que nos três anos que está ali viu adolescentes bebendo e fumando. Acha seguro trabalhar sozinho e se incomoda apenas com a falta de respeito dos jovens. Falou que nunca foi agredido, mas que já foi “enfrentado” por um deles. Contudo, assegura que quando tem algum problema telefona para o GRT. João falou que, durante seu turno, que é das 13h30 até as 21h40, o patrulhamento policial ocorre duas vezes.
Durante o dia, é visível a presença de policiais na região próxima, no entanto, eles passam pelos extremos da Rua, na transversal, Rua do Príncipe. Já à noite existem poucos policias na Rua das Palmeiras; como durante o dia, eles ficam apenas na transversal e não entram no ponto turístico.
Foto Sared

sexta-feira, 28 de março de 2008

Maconha em campus universitário

Por Joana Paterno
Fotos: Marcos do Valle
“O álcool mata bancado pelo código penal, onde quem fuma maconha é que é marginal e por que não legalizar?”, dizia Marcelo D2 em sua letra polêmica quando ainda era integrante do Planet Hemp. Nessa semana foram encontrados cinco pés de maconha dentro do campus da Universidade Federal de Santa Catarina. A droga tinha aproximadamente 45 centímetros de altura e ainda não foram encontrados indícios de quem possa ter cultivado o entorpecente.


Legalizada ou não a maconha ainda é leque para muitos debates. “Isso é notícia?”, questiona a mestre em história cultural Valdete Daufemback, alegando que esse tipo de problema sempre acontece. A professora de sociologia afirma que se a droga não fosse ilegal o consumo não mudaria. “Legalizada, o uso seria igual ao cigarro, assim o governo cobraria impostos em cima da venda”. Quando a questão foi sobre a circulação da maconha no campus do Bom Jesus/Ielusc, Valdete disse que não poderia responder, alegando que não sabe se já sentiu o cheiro da droga dentro da instituição.



Há 18 anos trabalhando na faculdade o porteiro Neri Pereira disse que nunca presenciou nenhum caso de alunos com entorpecentes durante seu expediente e muito menos o cultivo da droga. “Só se eu plantasse”, afirmou aos risos o tio Neri, como é conhecido pelos estudantes. Ele ainda declarou que se eventualmente encontrasse algum aluno drogado dentro da instituição o encaminharia aos seus pais e a uma entidade. “A melhor forma de se encontrar ajuda é conversando com os responsáveis pelo estudante e procurando um grupo de apoio”, conclui o porteiro.


Estudante e estagiário de comunicação R.S.T, 21 anos confessa ser usuário de maconha desde os 13 anos. “Comecei por pura curiosidade com alguns amigos mais velhos”, afirma o acadêmico. “Aos 14 anos na oitava série eu era o único que fumava na minha classe”. Ao responder sobre os pés de maconha encontrados na UFSC, R. disse que já cultivou uma muda de 75 centímetros em seu apartamento e depois a usou. O estudante alega que a droga é uma forma de interação com as pessoas, “Numa roda de amigos quando estamos fumando, a gente conversa sobre tudo e acabamos nos conhecendo melhor”. R. ainda revelou que tem medo do preconceito em torno do uso do entorpecente. “Tenho medo que me julguem errado, uso a maconha com consciência”.

Foto I : "Não posso afirmar", disse Valdete ao responder se já sentiu cheiro da droga na instituição.
Foto II: Tio Neri afirma que nunca houve casos de alunos drogados na faculdade

quinta-feira, 27 de março de 2008

Tigre/Unisul vai decidir o título do 4º torneio da superliga de vôlei

De virada time de Joinville venceu a Cimed e decide o 4º torneio Domingo, em Minas Gerais.

Texto: Sérgio Luiz Lourenço
Fotos: Jéssikha Todt

Mais de 3000 mil torcedores invadiram a “Toca da Fera” (Ginásio de esportes da Tigre), em Joiville para assistir a vitória da Tigre/Unisul por 3 x 0 no clássico de ontem contra a CIMED de florianópolis pela Superliga de Vôlei masculino. A equipe do técnico Giovane Gávio garantiu a primeira posição na chave B, na primeira fase do torneio, e decide no domingo, às 10h, em Betim (MG) o título de melhor equipe do 4º torneio contra o Sada Betim. Empurrada pela torcida que lotou o ginásio, a Tigre/Unisul tentou impor seu ritmo de jogo, mas a CIMED, do levantador Bruninho (jogador da seleção e filho do técnico Bernardinho), foi melhor em quadra e venceu o primeiro set em 35 minutos, por 28 a 26.
Sem a mesma atuação da primeira etapa, a Tigre/Unisul voltou para o segundo set errando muito e em 28 minutos a CIMED fez 25 a 20. Quando tudo parecia estar se encaminhando para mais uma vitória do líder da competição, a equipe Joinvilense iniciou a reação. Mais vibrante que nos sets anteriores, e com uma ótima atuação do jogador Clint, 20 anos, a tigre/Unisul venceu o terceiro set por 25 a 23 em 36 minutos. Foi o set mais longo e equilibrado da partida. Com a reação da equipe de Joinville e a queda de rendimento dos representantes da capital, o técnico Marcos Pacheco fez mudanças tirando de quadra titulares como o levantador Bruninho. As alterações na CIMED não foram o suficiente, e a equipe da casa venceu o quarto set por 25 a 12 em 23 minutos, e levou a partida para o “Tie Break”.
O set que decidiu o jogo foi o mais emocionante. Com a torcida gritando sem parar o nome do time, a Tigre/Unisul chegou a estar atrás no marcador. A equipe joinvilense fechou o quarto set em 15 a 12 e venceu a partida de virada por 3 a 2. Outro destaque da partida foi o atacante de ponta Leozão. Ele fez 24 pontos, praticamente um set e recebeu da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), o troféu “Viva Vôlei”. O prêmio é dado ao jogador mais eficiente em quadra. A torcida que vibrou a cada lance, invadiu a quadra e comemorou com os jogadores a vitória. O resultado foi mais um passo rumo ao objetivo inicial do projeto que é terminar o campeonato entre os quatro melhores. “É preciso comemorar sim, mas com os pés no chão” disse o técnico Giovane.
De acordo com o diretor de marketing da Tigre, Osvaldo Coni, 42 anos, o projeto que iniciou em julho de 2007 já superou todas as expectativas. “Conseguimos trazer uma atividade para o município” afirmou. O projeto também tem um fim social. Já foram arrecadados aproximadamente 7 toneladas de alimentos e agasalhos que serão distribuídos entre as entidades assistidas pelo Instituto Carlos Alberto Hansen. Coni explica que a empresa esta investindo por temporada, R$ 1,2 milhões na equipe. “Sem contar os gastos em infra-estrutura” disse. “Esse é o primeiro ano. Queremos ser campeões da superliga”.


foto 1 - Bloqueio um dos pontos forte do Joinville.
foto 2 - Giovane comemora mais uma vitória da Tigre/Unisul


quarta-feira, 26 de março de 2008

Curta nos Bairros agregou 49 membros no Vila Nova

Oficina passou por dois bairros e este é o maior grupo de interessados em produção cinematográfica de identidade
Cooperativa desativada


Texto por Luiza Martin
Fotos por Jean Ricardo e Luiza Martin

Perdido no tempo e na rua XV de novembro está o esqueleto do que foi a Cooperativa de benediciamento do Arroz Vila Nova. Rodeado por loteamentos, ficou ilhado pelo crescimento urbano. Como células cancerígenas, as habitações e o comércio crescem deslocando a zona rural. A disputa entre cidade e campo é característica forte do bairro cogitada, dia 25, como assunto por alguns dos 49 participantes. Eles decidirão o que retratar no filme de curta duração, que deve condensar a identidade das pessoas que vivem no Vila.

Aos 53 anos de vida e de Vila Nova, Ivonete Diva Felippi assistiu a mudanças, que a fizeram dizer: “todos nos conhecíamos antes do Boom”. O crescimento repentino despertou nela desejo de mostrar às gerações futuras a história do lugar onde nasceu. Orientada pela equipe de oito pessoas, reunida por iniciativa da Fundação Cultural de Joinville na Escola Municipal Valentin João da Rocha, Ivonete terá contato com: produção (cenários, figurinos, maquiagem), técnica (edição, roteiro), fotografia (luzes, tomadas, ângulos), escolha de elenco e outros elementos da construção de um filme.

O Coordenador de artes da Fundação, Luciano Costa Pereira, também coordena o projeto Curta nos Bairros e sete profissionais do cinema envolvidos na produção. Dois trabalhos já foram concluídos. O primeiro, o Morro do Amaral foi representado pelos pescadores e o Itinga exibirá “A lição” dia 27 de março na sede da AMORABI. O segundo não se baseou na linha que Luciano disse ser “trabalhar a identidade do bairro”, mas teve vínculos com a realidade – a história da protagonista é baseada na de uma menina do Itinga.

Três alunos da 8ºC da Valentin já sabiam o que queriam fazer. Bruna Correia pretendeu atuar. Pedro Puhl e Marcelo Ribeiro Silva mostraram afinidade com câmeras. Outro interessado na fotografia foi Vinícios Daltrozo da 7ºA. É cedo para certezas. Exercícios serão feitos em grupos antes das filmagens do dia 5 de abril. Até lá, os papéis estarão definidos pela afinidade e habilidade dos membros e pelos diretores (os sete profissionais da equipe).

Não só alunos participam da oficina. Há diversos interesses envolvidos, inclusive os pessoais e profissionais do policial militar, Rolf Wolfgang Hendl. Ele almeja saber como se faz um filme, afim de aplicar conhecimento em vídeos de palestras educativas e documentários das trilhas que faz por lazer. Já Airton Brazo, marceneiro, usará as noções de atuação que aprenderá para aperfeiçoar os teatros organizados na igreja que freqüenta.

A quantidade e diversidade entre membros da oficina geram dificuldades na organização das funções de cada um. Os 49 tiveram primeira experiência teórica hoje. Ela funcionará como “seleção natural” – só os que se julgarem aptos continuarão. Caso o número se mantenha ou mais pessoas se interessem, a coordenação administrará o roteiro de forma que todos participem. A sinopse e o argumento se definirão amanhã, dia 26, dando início ao roteiro técnico que será produzido por um dos profissionais.



A equipe, os profissionais, os diretores

“Não Ficar escravo da imagem nesse mundo de informação audiovisual” é o benefício que Brian Hagmann imagina proporcionar. Ele é graduado em cinema pela FAAP e responsável por adaptar sinopse e argumento à linguagem técnica do roteiro. Um lugar que o encantou e oferece possibilidades para produção de gêneros variados de histórias (do terror, ao romance) é a cooperativa desativada pelo abaixo assinado de moradores incomodados com a poluição em conseqüência da palha de arroz queimada. Mas nada foi definido ainda. Passada a etapa de preparação, vem a de pré-produção, que conta com a única mulher da equipe, Mari Silveira. Ela integrou, em 1989, a produção do clipe da música Burguesia, interpretada por Cazuza e trabalha como radialista. Mari quer ensinar eficiência aos participantes da oficina, nas três etapas: pré-produção, gravação e desprodução (devolução de equipamentos e objetos; reconstituição das locações). Depois de roteiro e personagens definidos Cristóvão Petry preparará o elenco, trabalhando a sintonia entre diretor, câmera e ator.

A experiência de Henrique Tobal Neto, que teve seu nome nos créditos de vários longas e curtas (Novembrada, Desterro, Ponte Hercílio Luz, Roda dos expostos, Um tiro na asa e “O antropólogo”, este a ser lançado no Festival de Gramado), será emprestada para a direção fotográfica. Tobal comandará as Hand câmeras (câmeras de mão) conduzidas pelos aprendizes. Luzes, microfones, câmeras e até travelling (usado em filmagens, cuja câmera acompanha o movimento da cena através de trilhos) são equipamentos utilizados, já alugados com a produtora Intervalo Filmes. Dois integrantes da produtora, independentes dela na iniciativa, Roger Luciano dos Santos e Júlio May, ajudarão. Júlio, estudante de publicidade no Ielusc, é produtor de set. Roger, publicitário formado pela UniCruz (RS), dirigirá as cenas e comandará a edição. O material será, em parte, editado na companhia dos membros. Articulando todas as etapas de produção, o cineasta Rodrigo Falk Brum contribuirá como diretor. Nesse mesmo cargo, Rodrigo levou, ao Clube de cinema do Ielusc, a pré-estréia do curta “Sob o céu de Joinville”, sem relações com a oficina, no dia oito de março.



Foto 2: Aula teórica com cinco dos membros da equipe de pé à frente do público

Foto 3: "Hand Cam" exibindo vídeo dos bastidores

Créditos: Jean Ricardo

Quanto custa morar longe?

Texto: Priscila Farias Carvalho

Fotos: Jeferson Luiz

A Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc recebe alunos de muitas cidades vizinhas como o grupo de Jornalismo e Publicidade e Propaganda que vêm todo dia de Jaraguá do Sul, São Francisco do Sul, Garuva e até de Rio Negrinho. Alguns desses estudantes chegam a pagar R$ 270, quase a metade do valor da mensalidade do curso de Jornalismo, que é R$ 626.


Dentre os que partem de São Francisco do Sul, estão os alunos de Jornalismo, Gisele Pimpão, e Publicidade, Nahuana Souza e Cristina Barbosa. Entre os que provêm de Jaraguá do Sul, Débora Kellner e Cláudio Renan Pereira (Jornalismo). Os outros aventureiros são de Rio Negrinho, Jean Carlos Knetschik, e de Garuva, Gisele Krama, ambos de Jornalismo. Todos estão no 3º semestre.



Gisele Pimpão, 18 anos, relata sua rotina: “É dificultoso. Trabalho das 13h às 17h30min, e nem troco de roupa.” Gisele sai de São Francisco do Sul depois do expediente e vem para a faculdade. Chega minutos antes das 19h e retorna para casa à meia-noite. Para ela, que trabalha na assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores de São Chico, só as aulas no sábado incomodam, pois precisa dormir na casa de algum colega ou amigo. Queixa-se: “Perco o clube de cinema, festas, não aproveito o meu tempo”. O valor do ônibus é originalmente R$ 290. Como ganha desconto, paga R$ 130 para o percurso de 70 km.


Débora Kellner, 20 e Claúdio Renan, 21, moram em Jaraguá e ambos têm idéias parecidas. Durante o dia, Débora trabalha com tratamento de imagens num estúdio fotográfico da cidade. À noite vem à Joinville de carro com a mãe. Acha que é “muito estressante” estudar e trabalhar. Antes ela cursava Jornalismo em Itajaí, eram quase 2h de viagem. Joinville é um pouco mais perto de

Jaraguá, dá aproximadamente 1h. Considera o percurso “um tempo perdido.” Já para Cláudio a maratona... “é uma merda”. “Não gosto disso”, reclama. É assessor da Câmara de Vereadores de Jaraguá. Ele perde umas 3h por dia na viagem de ônibus, mas está feliz com o curso.

Presidente do DACS (Diretório Acadêmico de Comunicação Social), Jean Carlos Knetschik, 24, mora em Rio Negrinho e diz estar “acostumado com a rotina”. Trabalha no jornal Gazeta de São Bento e numa rádio local. Às vezes se arrisca vindo de motocicleta, mas geralmente é pelo ônibus que opta. Paga R$ 270, sem desconto. R$ 70 só para o trecho de Rio Negrinho a São Bento do Sul. Jean percorre de Rio Negrinho a Joinville, aproximadamente, 100 km.


Testemunha das dificuldades de quem tem que viajar para estudar, Gisele Krama, 21, resume essa experiência a três coisas: “É muito cansativo, perigoso e caro.” Alega que já foi esquecida pela van que a conduzia, presenciou acidentes e enfrentou problemas com o veículo. Agora utiliza ônibus e gasta 30min de viagem. Ela paga R$ 130 com desconto, concedido pela UGE (União Garuvense de Estudantes). O valor integral é R$ 200. “Em Itapoá o ônibus é gratuito. Como eles não têm condições de suportar uma faculdade, qualquer estudante que queira fazer faculdade tem ônibus disponível pela prefeitura”, observa.

Muitos estranhamente gostam dessa loucura. Cristina Barbosa, 23, mora em São Francisco e admite: “É muito animado. Converso com todo o mundo. Eu adoro.” Ela vem de ônibus para a faculdade e não liga para o trânsito lento que às vezes enfrenta. A colega de Cristina, Nahuana Souza, 20, florista, afirma: “A única coisa ruim é estudar aos sábados”, diz a estudante que ama São Francisco e nem pensa em morar em Joinville.

Pizza todo o mês, agrado para poucos

Motoristas de van têm história pra contar. É o caso de Mauri Corrêa, 51. Seu Mauri, é velho conhecido dos estudantes que vêm de Jaraguá de van. Durante o dia ele conduz funcionários da WEG e à noite traz 15 alunos para o Bom Jesus. Enquanto os clientes estudam, ela aguarda na guarita do Tio Neri e, entre um bate papo ou outro - quando bate a fome - vai até o Shopping Cidade das Flores e faz um lanchinho. Ele já se acostumou com a rotina e até brinca: “De vez em quando, pago uma pizza pro pessoal da van. É bom pra se conhecerem.”

Legendas
Foto 1: Gisele mora em São Francisco do Sul e vem todo dia a Jonville para estudar.
Foto 2: Cláudio perde três horas na ida e volta de Jaraguá do Sul.
Foto 3: A jaraguaense Débora divide as despesas do carro com a mãe e mais 3 amigos.
Foto 4: Rio Negrinho, como é conhecido Jean, trabalha num jornal local de manhã e a tarde numa rádio.
Foto 5: Estudante de Publicidade, Cristina vem animando o pessoal no ônibus e não reclama da distância.

Espaço dinâmico e acolhedor para a biblioteca Castro Alves


Por Jacqueline Vasconcellos



Maria da Luz Hack Machado, 47 anos, que trabalha há 10 anos na biblioteca Castro Alves, declarou com exclusividade ao jornal Sino sobre a reforma interna realizada no mês de janeiro desse ano. A obra durou 15 dias e permitiu otimizar melhor o ambiente com a criação de uma sala de estudos individual, sala pequena para vídeo, corredor espaçoso e melhor distribuição das estantes que permitiu o acréscimo de mais quatro delas. A unidade central de 420m² ganhou ainda um espaço mais ventilado lá no fundo do corredor com a derrubada de uma parede. Maria afirmou que “os alunos e professores já notaram a diferença e têm elogiado bastante”. Os alunos conseguem circular com maior facilidade entre as estantes e a sala para estudos, mais reservada, permite momentos de leitura e trabalho para o uso de notebook, inclusive.

Daniela de Jesus do Canto, 20 anos, cursa o 5º semestre de Jornalismo e comentou: “a reforma da biblioteca ficou boa, mais acessível, mais ampla.” O ambiente, mais atraente e acolhedor, permitiu vir com mais freqüência na busca de livros sobre música popular brasileira que é sua maior paixão.

O acervo da unidade central possui 15 mil títulos e as novas aquisições estão expostas logo na entrada da biblioteca. Os professores sugerem novos títulos a cada semestre e, à medida que vão chegando, imediatamente são catalogados e inseridos no banco de dados disponível na internet. Todas as unidades da Biblioteca Castro Alves são interligadas – unidade central, unidade Saguaçu I e III — e o usuário poderá retirar os livros de seu interesse em qualquer uma das unidades.

O professor dos cursos de Publicidade e Jornalismo, Gleber Pieniz, 34 anos, comentou que “esta é a primeira vez que estou sentado próximo ao local que tem acesso a uma boa ventilação”. Acho ótimo porque o “acervo precisa respirar”! Ao falar da nova disposição, o professor considerou que o espaço de trabalho melhorou muito. “Até mesmo visualizar alunos e colegas que estão trabalhando”, complementa. Outro aspecto relevante é que o ambiente mais espaçoso, com mais prateleiras sinaliza que o “acervo está crescendo”. E conclui dizendo: “parte dos títulos novos técnicos e literários têm minha contribuição!”



Foto 1: Maria, coordenadora da Biblioteca Castro Alves.
Foto 2: Profº Gleber e as novas aquisições.
Crédito: Jenifer Martins