terça-feira, 24 de junho de 2008

A correria no final do semestre

Por Carolina Raquel da Veiga

Fim do semestre chegando e o que se verifica nos corredores do Bom Jesus/Ielusc
são alunos correndo de um lado para o outro, tentando recuperar notas e entregar trabalhos atrasados. No mesmo corre e corre estão os professores, contudo, a correria é para corrigir as avaliações e entregar os resultados tão esperados.

Para a aluna do 5º período Ariane Olsen o final do semestre é sempre complicado, agitado e com poucas horas de sono. Para ela, o principal motivo é que os professores pedem os trabalhos e marcam as provas para a mesma semana, geralmente a penúltima e última. Segundo ela isso faz com que os alunos fiquem sobrecarregados e não dêem a devida atenção a execução das tarefas. Diz que os trabalhos são “feitos nas coxas” pela falta de tempo.

Para o professor Juciano Lacerda, que nesse semestre ministra quatro disciplinas, três para os cursos de jornalismo e uma para publicidade e propaganda, somando no total 120 alunos, o período também é corrido. Diz “temos que corrigir, avaliar e colocar as notas no site para que os alunos saibam se ficam ou não em exame e isso tem que ser feito sempre um dia depois da última aula com a turma”. Questionado sobre as datas de entrega dos trabalhos e avaliações, o docente disse que não existe possibilidade de marcar as provas antes, pois os conteúdos não teriam sido totalmente aproveitrados. Quanto aos trabalhos, o professor diz passar um cronograma no início do semestre com as datas de entrega, mas os alunos que deixam para fazer em cima da hora, argumenta.

Lançada a 70ª Festa das Flores

Por Carolina Raquel da Veiga


Aconteceu na última semana, dia 17, o lançamento oficial da 70ª Festa das Flores. Na cerimônia, autoridades, convidados e imprensa puderam conhecer as atrações da edição que acontecerá esse ano. Entre as novidades anunciadas pelo presidente da Promotur (Fundação de Promoção e Planejamento Turístico de Joinville), Vilmar Pedro de Souza foi destacada a primeira exposição de orquídeas de abrangência internacional, com a participação já confirmada de países como Tailândia, Alemanha, Holanda, Equador e Estados Unidos. E a realização de um ciclo de conferências sobre o cultivo de flores e plantas ornamentais, realizado em parceria com a UNIVILLE (Universidade da Região de Joinville). Foram confirmadas a presença de especialistas reconhecidos mundialmente para ministrar as palestras.

Segundo Vilmar, a edição deste ano vem sendo elaborada desde 2006 e durante esse tempo parcerias importantes puderam ser efetivadas. Como com o Ministério da Agricultura e o IBAMA cujas as participações constituem-se na criação de um “corredor” e de uma “entrada única”, facilitando a recepção, o transporte e a saída das plantas vindas do exterior. Contudo, ele disse que as atrações tradicionais da festa não foram esquecidas, como a Feira Casa, Jardim & Lazer, O mercado de plantas e a praça de alimentação que contará com um restaurante internacional. “Todas as atrações estão ganhando reforços, queremos que essa seja a melhor edição da festa das flores”, concluiu.

Na ocasião foi apresentado o material de divulgação da festa, sendo um informativo que contém uma retrospectiva das edições anteriores e as ações já definidas para esse ano. E um vídeo comemorativo no qual a história do evento é narrada de forma emocionante. Eles foram desenvolvidos pela jornalista especializada em turismo Nelci Seibel. Ela conta que apesar de não ser joinvilense, foi um prazer resgatar um pouco da tradição e da história do mais tradicional evento da cidade pela qual se apaixonou.

Também foi possível admirar belos exemplares das principais orquídeas que serão expostas e alguns modelos de carros antigos que o Veteran Car Club exporá na edição. Uma atração anunciada para a exposição de carros é a presença confirmada do Simca Chambord, ano 59, popularmente conhecido como “rabo-de-peixe” ou “Cadillac brasileiro”, automóvel original da série televisiva o “Vigilante Rodoviário” da década de 60.

O lançamento da 70ª Festa das Flores ocorreu na AJAO (Agremiação Joinvilense de Amadores de Orquídeas), uma das entidades organizadoras do evento junto a Promotur, cujos membros se dedicam há tantos anos para que a exposição ocorra. O seu presidente Sr. Wilson Quant diz que realizar a Festa das Flores esse ano, é para ele e para toda a agremiação motivo de orgulho. Afinal, são anos e anos se dedicando a criação, ao cultivo de orquídeas e a idealização da festa.

A 70ª edição da Festa das Flores acontecerá dos dias 12 a 16 de novembro, no Complexo da Expoville. A entrada é gratuita.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Alucinações quixoteanas invadem a praça Nereu Ramos

Foto: Jacson Almeida

Adaptação de Dom Quixote de la Mancha encenada ao ar livre no centro da cidade

Por Priscila Farias Carvalho

Após 12 dias de apresentações teatrais, a Mostra de Teatro Cena 5 se despede de Joinville com a encenação ao ar livre de Dom Quixote de la Mancha, do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Por volta das 16h30, terça-feira 17, "Das saborosas aventuras de Dom Quixote de la Mancha e seu fiel Escudeiro Sancho Pança – Um capítulo que poderia ter sido", arrancou aplausos, encantou o público e parou o centro da cidade. Juntando o cenário urbano com a arte inovadora, o grupo goiano Teatro que Roda ousou, usou e abusou do improviso pelos espaços disponíveis Praça Nereu Ramos e arredores.

A apresentação iniciou com Dom Quixote descendo do Edifício Manchester, o que assustou muitos comerciantes da região que não sabiam se o homem se atiraria do prédio ou se se tratava de outra coisa que não uma peça teatral. Dom Quixote é João, um executivo frustrado, e o fiel escudeiro, Sancho Pança, é um atabalhoado catador de papel. Um carrinho de lixo se transforma no cavalo Rocinante, que teve o rabo improvisado por um cachecol azul, de uma garota da platéia. Roupas feitas de anéis de latinhas e retalhos de tecidos, um carrinho de lixo, papelões e outros materiais recicláveis adornaram os atores.

O estudante de Jornalismo Sidney Azevedo define a luta de Quixote e o dragão como o momento “sensacional”. O dragão em questão foi improvisado por uma patrola estacionada no meio da rua. Por cima do veículo estava Dulcinéia, a bela das alucinações do cavaleiro viajante. Outros atos marcantes foram: a frenética luta entre Dom Quixote, Sancho Pança e três mercenários, no meio da praça; as aparições repentinas das 12 moças vestidas de noivas, representando Dulcinéias; e a perseguição de um carro policial, fictício, a Dom Quixote, marcando o final da peça.

Os atores Dionísio Bombinha e Liz Eliodoraz se movimentaram por um palco que se confundia com frentes de lojas, marquises de prédios e afins: as ruas do Príncipe e Palmeiras, onde público e atores disputavam espaço. A tal invasão teatral encheu os olhos de Allan Viana, 20 anos, teatreiro por vocação. “Achei maravilhoso”. Ele ainda ressalta: “Une o útil ao agradável: o público, a cidade e o texto”. Abruptamente, Silvestre Ferreira intervém: “Você é da Companhia de Teatro?”. O ator confirma, recebendo os cumprimentos do coordenador da Cena 5.

Para Sônia Regina, que estuda teatro há 10 anos, é difícil definir o melhor dos espetáculos a que assistiu. “Eu achei todos muito bons". “Isso faz parte do projeto Palco Giratório, que existe há 11 anos no Serviço Social do Comércio”, declara João Daniel Zanotti, coordenador do setor de cultura do Sesc. João lembra que a peça ainda terá passagens por São Francisco do Sul e São Bento do Sul, dias 18 e 19, respectivamente. Para a realização da peça, foi necessário a liberação do local junto à Prefeitura, mobilizar o policiamento e os bombeiros e obter autorizações do Edifício Manchester e do comércio da região.


Um pouco mais da Mostra Cena

Na 5ª edição da Mostra Cena, atores, diretores, críticos e platéia se envolveram e reinventaram-se diante da magia do teatro. Durante os dias 9 e 18 de junho, 15 espetáculos em lugares distintos da cidade, deliciaram o público. De Juarez Machado, passando pela Cidadela Cultural – no Galpão de Teatro da Ajote; do Mercado Público Municipal à praça Nereu Ramos e o centro da cidade, os teatreiros fizeram a população respirar arte.

Esse ano a Fundação Cultural de Joinville tomou a dianteira na realização da Cena 5, junto com a Associação de Teatro Joinvilense, Ajote. Novidades também nortearam a Mostra. Sob o tema: “Ver o novo, Ver de novo”, os espetáculos foram divididos entre atrações conhecidas do público joinvilense e novas adaptações teatrais, além das companhias convidadas e debates após os espetáculos.

Silvestre Ferreira, diretor de teatro e presidente da Ajote, avalia a Cena 5 como "diversificada". "A qualidade é muito boa”. Nem o próprio organizador consegue definir qual foi a peça mais aceita pelo público. “Eu, como artista, só tenho que aplaudir.” Silvestre cita as peças de grande apelo junto ao público, como "SOS - Uma mulher só" e "Migrantes", entre outras que para ele “são propostas diversificadas e mais intimistas”.

Joinville cancela mais um vôo por falta de passageiros

Por Janine Bastos

Aeroporto de Joinville não acompanha o crescimento nacional

No dia 27 de maio a maior cidade do estado cancela mais um vôo da companhia TAM, a rota da aeronave JJ3042 saia de Joinville ás 17h45min com Destino a Guarulhos. “Nossa supervisão remanejou a malha aérea e resolveu transferir o vôo de Joinville para o nordeste, onde a demanda é maior”, alega Alex Klaus 27 anos, despachante de vôo, insatisfeito. Os cancelamentos das aeronaves causam instabilidades para os profissionais que temem perder seus empregos. “Joinville cada vez mais fica sem movimento, as pessoas preferem embarcar por Curitiba, isso preocupa”, lamenta Cinthia Borba 22 anos agente de aeroporto da GOL.
Quem precisa utilizar o Aeroporto Lauro Carneiro De Loyola se depara com a falta de opções de horários e destinos. As dificuldades parecem refletir no crescimento do transporte aéreo do município. Dados da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) mostram que número de embarques na cidade cresceu 2,55% entre os quatro primeiros meses de dois mil e oito. Os desembarques aumentaram só 1,2%. Os números estão bem abaixo do crescimento nacional, que foi de 9,6% , segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Há sete anos atrás, Joinville obtinha 28 vôos com as companhias: Varig, Ocean Hair, Rio Sul e Transbrasil. Em 2004, a empresa aérea GOL Linhas Aéreas Inteligentes entra na disputa de mercado e se instala na cidade. “Quando a GOL começou a operar em Joinville houve um choque, pois suas tarifas obrigaram as empresas baixarem seus preços. Chegando ao ponto de fecharem”, comenta David Zismann, 27 anos, que trabalhou na Varig e hoje é agente líder da GOL.
Com 487.003 habitantes, o município é considerado o mais populoso de Santa Catarina, segundo o IBGE. A cidade hoje conta com 2 vôos da GOL e 3 da TAM todos com destinos para São Paulo. As outras empresas aéreas encerraram suas funções pelo fraco movimento. A última companhia a se retirar da cidade foi a Varig em outubro de 2007.
O empresário Nelson Hertesen, 49 anos, ao ser questionado por solicitar passagens com saída de Curitiba ao invés de Joinville, suspira “O aeroporto de Joinville não tem estrutura. Faltam aparelhos que facilitam a visualização das aeronaves mesmo com fortes neblinas. Curitiba dispõem de várias companhias e horários”. Claudia Delmonte Moritz, 33 anos, gerente da Gol, argumenta que com mais um cancelamento de vôo a situação é preocupante, já que o povo Joinvilense se acostuma a viajar por Curitiba e acaba não procurando Joinville.
“Nosso aeroporto foi esquecido promessas e mais promessas nada mais do que isso. Temos uma só sala de embarque que não comporta mais que 100 passageiros, sendo que uma aeronave tem capacidade de 144 á 186 lugares”, disse Marcelo Guerreiro, 35 anos, fiscal da Infraero. Aline Kiswoskr, 45 anos, gerente da Olympia Tur, descreve que as agências de turismo atendem diariamente empresários e são comuns reclamações e insatisfações dos horários disponíveis da cidade.
A Gol informou que, por enquanto não pretende modificar os horários e os destinos dos vôos. A empresa realiza estudos, mas as mudanças devem ser a longo prazo. A TAM argumenta que as mudanças para esse ano já foram feitas com o cancelamento de um vôo.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Joinville cancela mais um vôo por falta de passageiros

Aeroporto de Joinville não acompanha o crescimento nacional

Por Janine Bastos

No dia 27 de maio a maior cidade do estado cancela mais um vôo da companhia TAM, a rota da aeronave JJ3042 saia de Joinville ás 17h45min com Destino a Guarulhos. “Nossa supervisão remanejou a malha aérea e resolveu transferir o vôo de Joinville para o nordeste, onde a demanda é maior”, alega Alex Klaus 27 anos, despachante de vôo, insatisfeito. Os cancelamentos das aeronaves causam instabilidades para os profissionais que temem perder seus empregos. “Joinville cada vez mais fica sem movimento, as pessoas preferem embarcar por Curitiba, isso preocupa”, lamenta Cinthia Borba 22 anos agente de aeroporto da GOL.
Quem precisa utilizar o Aeroporto Lauro Carneiro De Loyola se depara com a falta de opções de horários e destinos. As dificuldades parecem refletir no crescimento do transporte aéreo do município. Dados da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) mostram que número de embarques na cidade cresceu 2,55% entre os quatro primeiros meses de dois mil e oito. Os desembarques aumentaram só 1,2%. Os números estão bem abaixo do crescimento nacional, que foi de 9,6% , segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Há sete anos atrás, Joinville obtinha 28 vôos com as companhias: Varig, Ocean Hair, Rio Sul e Transbrasil. Em 2004, a empresa aérea GOL Linhas Aéreas Inteligentes entra na disputa de mercado e se instala na cidade. “Quando a GOL começou a operar em Joinville houve um choque, pois suas tarifas obrigaram as empresas baixarem seus preços. Chegando ao ponto de fecharem”, comenta David Zismann, 27 anos, que trabalhou na Varig e hoje é agente líder da GOL.
Com 487.003 habitantes, o município é considerado o mais populoso de Santa Catarina, segundo o IBGE. A cidade hoje conta com 2 vôos da GOL e 3 da TAM todos com destinos para São Paulo. As outras empresas aéreas encerraram suas funções pelo fraco movimento. A última companhia a se retirar da cidade foi a Varig em outubro de 2007.
O empresário Nelson Hertesen, 49 anos, ao ser questionado por solicitar passagens com saída de Curitiba ao invés de Joinville, suspira “O aeroporto de Joinville não tem estrutura. Faltam aparelhos que facilitam a visualização das aeronaves mesmo com fortes neblinas. Curitiba dispõem de várias companhias e horários”. Claudia Delmonte Moritz, 33 anos, gerente da Gol, argumenta que com mais um cancelamento de vôo a situação é preocupante, já que o povo Joinvilense se acostuma a viajar por Curitiba e acaba não procurando Joinville.
“Nosso aeroporto foi esquecido promessas e mais promessas nada mais do que isso. Temos uma só sala de embarque que não comporta mais que 100 passageiros, sendo que uma aeronave tem capacidade de 144 á 186 lugares”, disse Marcelo Guerreiro, 35 anos, fiscal da Infraero. Aline Kiswoskr, 45 anos, gerente da Olympia Tur, descreve que as agências de turismo atendem diariamente empresários e são comuns reclamações e insatisfações dos horários disponíveis da cidade.
A Gol informou que, por enquanto não pretende modificar os horários e os destinos dos vôos. A empresa realiza estudos, mas as mudanças devem ser a longo prazo. A TAM argumenta que as mudanças para esse ano já foram feitas com o cancelamento de um vôo.

“O presente Tchekhoviano”

Por Ana Paula Moraes


Cena 5 trás “Tchekhovianas”, uma deliciosa adaptação que mostra o cotidiano e o existencialismo como ingredientes para um espetáculo que promove, reflexão e muito riso. O grupo sala 29 do segundo ano do curso de teatro da Casa da Cultura reproduziu três contos do dramaturgo russo Anton Tchekhov. “A afogada”, “A professora” e o “Presente”, provocaram comoção e gargalhadas na plateia.No galpão de teatro da Ajote o público era recebido pelo som da banda Fairans numa manifestação musical com a abertura do palco para demais artistas locais e amadores, como era feito em todas as noites de apresentações, o clima era de alegria entre os participantes do Festival de teatro de Joinville Cena 5, já que o público em sua maioria era formado por pessoas do meio teatral.

Diante de um auditório lotado o grupo sala 29 apresenta “Tchekhovianas”, o primeiro conto a ser dramatizado foi “A Afogada”, que trazia a história de um homem abordado e convidado a pagar para assistir um afogamento. Já o segundo conto apresentado foi “A Professora”, onde uma professora de matemática tenta enganar em suas contas a moça pobre ingênua que trabalha para ela com o objetivo de ensinar-lhe a se defender melhor. Já o terceiro e último conto abordado foi “O presente”, uma história divertida, com um diálogo muito engraçado onde o pai resolve dar de presente ao filho, uma noite em um bordel, com o intuito de “torná-lo homem”.


A diretora do espetáculo Juciara do Nascimento explica que a peça trás situações corriqueiras vistas por um olhar mais cômico e irônico. A dramaturga conta que a peça que estreou em novembro já rodou escolas municipais de Joinville e hoje no Festival faz sua última apresentação , um presente para quem aplaudiu entusiasmado o final do espetáculo como o Usineiro Paulo Roberto Costa, 42 anos, “ Hoje foi muito bom, precisava ter umas três dessa menina”, referindo-se a Daniela Martins, atriz do espetáculo.”Aqui em Joinville o teatro deveria ser tratado de maneira mais simples, mais popular, além da má divulgação, acabam frequentando esse tipo de ambiente somente aqueles já são interados sobre o meio, somos uma cidade industrial, de um povo operário, é preciso democratizar o negócio”, desabafa. Para Daniela, atuar no Cena 5 foi um presente, afinal o sala 29 foi o único grupo de alunos convidados para se apresentar no festival, o cena 5 vai até o dia 18 de junho com apresentações no teatro Juarez Machado, no galpão da Ajote e nas praças da cidade.

Empresários de Joinville estudam proposta para custear câmeras de segurança na cidade

Empresa Ravew apresentou o sistema em sessão da Acij


Por Ana Paula Moraes

A comissão de segurança da Acij, formada por empresários da associação, além de outras entidades como Ajorpeme, CDL e Acomac, se reuniram para estudar a proposta feita pela empresa Ravew , integrante do grupo Acij, sobre a instalação de câmeras sem fio com sistema de transmissão via rádio em bairros de Joinville. As câmeras terão um custo mensal de mil reais por empresário, o monitoramento e a escolha dos locais onde serão instaladas será de responsabilidade da polícia militar.


Em umas das reuniões da Acij a proposta foi apresentada sem compromisso para os empresários da cidade, segundo Jamil Chat, representante da empresa operadora da tecnologia, uma das câmeras já está em teste em uma escola pública do bairro Jardim Paraíso, e a operação foi realizada com sucesso. A diferença entre as câmeras já utilizadas é que estas não precisam de cabos, o que possibilita a instalação em bairros mais distantes, pois o alcançe é de até 17 quilometros até a central de polícia." A comunicação também é codificada. Impede que a transmissão das imagens até a polícia seja grampeada", afirma Jamil.



As entidades envolvidas ainda não se manifestaram em definitivo sobre a proposta, mas assume-se uma polêmica entre o meio. “ Porque é que a iniciativa privada é quem tem que custear uma idéia dessas, segurança é uma responsabilidade do Estado, nós pagamos impostos pra isso”, argumenta, Adelino Meier, proprietário de uma oficina mecânica e membro da Acij.


O representante da empresa que oferece o serviço defende que a idéia deve ser analisada pela iniciativa privada, segundo ele o Estado faz o que pode e o grupo poderia proporcionar algo à mais. Mesmo com a escolha dos locais de instalação sendo feita pela polícia, pode ocorrer de a zona de instalação ficar próxima de duas empresas onde os proprietários poderiam ratear as despesas.Jamil explica que no momento não se pensa em oferecer o serviço ao Estado, pois a demora seria muito grande além de protocolos burocráticos onde o pedido deveria ser feito por meio de licitação pública, o que, segundo ele, levaria anos.

Apenas 14% da cidade possui tratamento de esgoto

Águas de Joinville pretende cobrir metade do município até 2012



Por Ronaldo Santos




Na semana passada o Instituto Trata Brasil em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o resultado de uma pesquisa feita em todo o Brasil que mostrou as condições de saneamento básico no país. Na análise, Santa Catarina aparece em penúltimo lugar no ranking de saneamento básico dos estados, pois somente 12% da população tem acesso à rede de esgoto. Em Joinville a situação não é diferente. Na cidade apenas a região central e o loteamento Ulysses Guimarães têm esgoto tratado, o que corresponde a 14% do município. Todo o restante é despejado nos rios que desembocam na Baía da Babitonga.

A cidade conta com apenas duas estações de tratamento de esgoto: uma no bairro Profipo e outra no Jarivatuba. De acordo com assessor de comunicação da Companhia Águas de Joinville, João Francisco da Silva, a empresa tem planos de até 2012 cobrir 50% das residências com esgoto tratado. Para isso, já estão firmados contratos que destinam no total R$ 300 milhões para o projeto. O dinheiro é proveniente de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, da Caixa Econômica Federal, do Banco Mundial, do Programa de Aceleração do Crescimento e do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata.

João Francisco explica que o melhor modelo de tratamento de esgoto é o feito por bacias. Hoje estes sistemas estão sendo construídos nos bairros Vila Nova, Morro do Meio, Jardim Sofia, Pirabeiraba e Jardim Paraíso. Este último já está com toda a rede coletora instalada, faltando apenas a construção da estação.

A estação do bairro Jarivatuba é a maior da cidade. Foi construída na década de 1970 com a tecnologia disponível na época e o tratamento é feito de forma natural, com microorganismos. Segundo João Francisco, a água que sai da estação está com 90% de pureza — dentro dos padrões mínimos para voltar aos rios. Com os métodos da época da construção da estação, não era possível conter os gases mal-cheirosos. Hoje a área em volta da estação de tratamento é urbanizada e a população sofre com o odor.

A proposta de cobertura de esgoto da Companhia Águas de Joinville não inclui coleta de resíduos das empresas. Todas devem possuir um sistema próprio de coleta e tratamento. As grandes indústrias da cidade já possuem. As que ainda não instalaram, terão um prazo para se adequar a legislação que obriga que todas tenham o sistema.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ponto de Encontro

Por Zelir da Costa

Banheiro masculino do terminal de ônibus do centro vira ponto de encontro para homossexuais. Mesmo com tanta segurança e fiscalização constante, o supervisor do terminal Jackson Santos, 28 anos, relata que não conseguem evitar esse tipo de situação “ No banheiro feminino não temos problemas com pixações nem encontros de mulheres mas, no banheiro dos homens é um problema sério de difícil resolução”, relata.

Segundo o supervisor, os usuários “normais” não reclamam. A situação é notada, apenas pelos funcionários que limpam os banheiros e percebem algo de errado e estranho. O funcionário então comunica o supervisor. Segundo o mesmo não sabem como resolver essa situação. “Certa vez quase fomos agredidos por dois homens suspeitos que estavam no banheiro fazendo sei lá o que, os quais saíram do banheiro e foram embora na maior cara de pau”, relata o supervisor.

Encontrar as paredes do banheiro suja, camisinhas jogadas no lixo ou até mesmo no chão, já virou rotina na vida de dona Irene Pereira, 47 anos, faxineira do terminal de ônibus do centro. “ Já vi coisas nessa vida, mas vim para o terminal de ônibus para transar no banheiro podendo ser visto por alguém nunca tinha visto” ressalta.

Segundo Andressa Estevão, 24 anos, vendedora e usuária do terminal do centro todos os dias, nunca percebeu nada de estranho no banheiro feminino. “ É raro eu usar o banheiro ou beber água nos bebedouros do terminal mas, sempre que precisei, os banheiros estavam higienizados e nunca percebi nada de estranho que comprometesse alguém, até pelo fato de sempre estar atrasada e com pressa”.

Iara Borges, 38 anos, gerente de loja, compartilha do mesmo discurso de Andressa. A única queixa dela é que, no verão, a água do bebedouro é quente, mas quando precisou utilizar os banheiros estavam aparentemente limpos. “ É uma pena que as pessoas não sabem usar, se fosse cobrado para usar, de repente as pessoas respeitassem” afirma.

Segundo Jackson Santos, o terminal conta com quatro fiscais que trabalham diariamente na orientação e vigilância, além de duas pessoas terceirizadas que limpam cerca de dez vezes por dia todos os banheiros e as calçadas do terminal.

domingo, 15 de junho de 2008

Cavalaria carrega duas toneladas de doações

Identificados com o colete laranja, os cavaleiros começam a jornada

por Luiza Martin

Nas cavalgadas do bairro Vila Nova, durante o 8º Arrastão da Solidariedade, 2.000 quilos de alimentos foram recolhidos. O sol raiava enquanto os cavaleiros e amazonas chegavam à rua XV de Novembro. Eles partiram com uma hora de atraso, no dia 14 de junho, depois de receberem a benção do pastor da igreja luterana e do padre. As pastorais desses dois religiosos distribuirão os donativos para as famílias cadastradas que moram no Vila.

O 8º arrastão do bairro é o 16º de Joinville e foi animado por um trio elétrico que tocava a música composta pelo antigo coordenador do evento, João Severo de Lima Junior. “Os cavaleiros que cavalgam na cidade, buscam solidariedade em forma de arrastão. Trazem no peito uma ânsia de ajuda para ver se a coisa muda na mesa do seu irmão”, proferiam as caixas de som do trio. A ideologia de ajuda ao próximo, se manteve sob a liderança de Celso Pitta, que comandou a caravana por 22 ruas e cinco trechos da XV de Novembro.


A reunião de 60 montarias, inúmeros caminhões e camionetes recolhedores de doações, provocou congestionamento, mas nenhum acidente ocorreu. Dois policiais militares de motocicleta e seis montados a cavalo controlavam o fluxo de veículos. Vários motoristas se irritaram com o trânsito paralisado, quando, às 9 horas, o padre Helmuth Berkenbrock abençoava o arrastão pela segunda vez. Isso porque, uma hora antes, o reverendo iniciou a benção, por imaginar que o princípio do evento solidário seria no horário combinado.

Antes dos cavaleiros adentrarem nas ruas do roteiro traçado, um carro de som passava chamando os moradores ao portão. O pintor de paredes e fachadas Djalma Fernandes Junior atendeu ao clamor. “Foi de repente, estava lavando o carro”, disse ele que pediu para a esposa separar roupas, um quilo de açúcar e outro de sal. Djalma entregou sua contribuição a um dos cavaleiros. Assim também fizeram os vizinhos dele, que poderiam integrar a lista dos beneficiados pelas doações.

“Há muitos espertinhos”, afirmou Celso Pitta, o coordenador do arrastão, sobre as famílias que se cadastram em todas as pastorais para receber mais de uma vez a cesta básica. Nesse ano, além de comida, foram arrecadadas cerca de 2500 peças de roupa. O sistema de distribuição mudou – a contagem é feita pelo endereço e não mais por grupos familiares. Isso facilita a distribuição, que, segundo Pitta, é mais difícil do que a busca por doações.


Lady Godiva


Diz a lenda do Reino Unido que Godiva, esposa de Leofric, cavalgou nua pela cidade de Conventry. Ela protestava, em favor dos camponeses, contra os altos impostos que o marido cobrava. A única semelhança entre Bruna Welter e Lady Godiva é o cavalo (que não é o mesmo, pois, apesar de ser crença popular, nenhum eqüino sobreviveria por quase 1000 anos).

Bruna é estudante, só tem 14 anos, e participava do arrastão pela segunda vez. Carregou, na rua Ivora, uma sacola com mantimentos que quase a fez cair do cavalo, literalmente, de tão grande. O esforço foi recompensado, não pela benfeitoria e sim pela satisfação. Isso porque “não tem nada melhor do que cavalgar”, dizia orgulhosa a menina do Vila Nova.



Fotos: Luiza Martin


quarta-feira, 11 de junho de 2008

Discussões e incertezas: a escrita está mudando

Quatro ratificações e Acordo Ortográfico segue sem implantação
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Por Sidney Azevedo
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A próxima reunião da Comunidade de Países de Língua Portuguesa deverá ter na pauta de discussão a implantação do Acordo Ortográfico nos próximos anos. O tema volta a ter força, após dezoito anos de negociação, com a ratificação do Acordo pelo parlamento português, em 16 de maio. Pelo acertado no segundo protocolo modificativo, de 2004, o Acordo passa a valer assim que três países o ratificarem. Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já o tinham ratificado até 2007. Desde então a aplicação da nova ortografia tem se dado de modo hesitante. Professores, tanto no Brasil como em Portugal antecipam algumas regras, mas sem muita certeza de quando passam a vigorar. Com a ratificação de Portugal, o Acordo tem mais chances de aplicação.
Quando se fala nas modificações propostas pelo Acordo Ortográfico muitas vezes confunde-se ortografia e gramática. Muitos pensam que pode haver mudanças na estrutura frasal ou no vocabulário, quando, no entanto, ele só muda a forma de escrever as palavras: “Isso significa que teremos de escrever como brasileiros? Já nos não bastam as novelas a massificar?”, questiona o armador português Alberto Araújo, 26.
Noutras vezes não se sabe do Acordo: “O quê, vão mudar o português? Já não era sem tempo!”, exclama a vendedora brasileira Ketlin Espíndola, 19; “Isso é bom, precisava evoluir”, diz Renata Ganzenmüller, 18, brasileira que faz curso técnico de contabilidade.
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Nem sim, nem não
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A controvérsia em torno do Acordo não está nas ruas, entre os aproximadamente 230 milhões de falantes da língua, mas nos núcleos envolvidos com as letras, pelo menos no Brasil. O professor de português e músico Abdon da Silveira, 62, acompanha de longe e concorda resignado com a mudança por entender que ela facilita o trâmite burocrático entre os países, sem a necessidade de dois documentos oficiais, mas afirma: “as alterações devem ser outras”. Insistiu algumas vezes que “isso não fará do português uma língua com força internacional”, embora “aproxime os países falantes”.
O também professor de língua portuguesa Anilton Weinfurther é contrário ao acordo porque ele equivale a “trocar seis por meia-dúzia”. Questionado sobre que mudança deveria ser feita pelo Acordo, mencionou as regências verbais por serem grande fonte de confusão. Para modificá-las seria precisa uma nova gramática.
Pedro Tadeu Vexani, 26, estudante de jornalismo que cursou Letras por um ano, fala em uma “pasteurização do português”, e por isso não concorda com o Acordo. “A beleza da língua reside em sua complexidade”, comenta, e lembra que o middle-english de Shakespeare era complicado, assim como sempre o foi o francês, que era a língua padrão do século XIX. Vexani não crê que as mudanças possam tornar o português uma língua “mais forte”, mesmo que a ambição seja essa.
O aluno de jornalismo Rodrigo Silveira viveu três anos em Portugal e reconhece no país o tradicionalismo. Pensa que a modificação “tende a criar um espírito comum entre os países”, a aproximá-los não apenas no plano de documentos político-econômicos, mas no cultural também. “Em Portugal usam-se muitas gírias vindas de Angola, mas quando o assunto é o Brasil, as coisas parecem afastadas e se quer afastar mais”, observa.
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Extremadas e desmentidos
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A imprensa portuguesa polemizou bastante sobre o assunto. “Os jornais sempre davam às falas de Graça Moura um lugar primeiro por concordar com seu conservadorismo ranhoso”, explica o estudante de Letras João Manuel Azevedo, 29. Vasco Graça Moura é jurista, deputado europeu e um dos personagens da batalha de artigos contrária ao Acordo. Segundo o eurodeputado, o Acordo não tem validade enquanto todos os países não o ratificarem, como prevê o texto original de 1990. Outros defendem que poderia haver a obsolescência súbita de livros e a conseqüente destruição de bibliotecas. “Ora, não veem que não tem sentido manter um ‘p’ em ‘óptimo’ quando não se o pronuncia…, a não ser para quem gostou da Ditadura”, ironiza o vendedor Tiago Sousa, 22, ao relembrar a ditadura de António Salazar, que insistia que “as colónias voltariam a ser de Portugal”.
“Embora a maioria dos portugueses entenda e esteja indiferente ou aceite a modificação e não perca tempo discutindo em páginas da Internet”, diz João Azevedo, “o grupo antiacordo emprega pressões para impedir a promulgação do Acordo pelo presidente”. O Manifesto em Favor da Língua Portuguesa, liderado por Graça Moura, com quase 60 mil assinaturas, já foi entregue a Aníbal Cavaco Silva por duas vezes.
Um dos argumentos do Manifesto diz que “as editoras portuguesas ficam assim prejudicadas quanto ao mercado africano”. “Isso não é óbvio?”, pergunta Alberto Araújo, “não parece que o Acordo só atende aos interesses do Brasil?”.
Para o doutor em comunicação Jorge Pedro Sousa, que não tem acompanhado muito a questão, a idéia da obsolescência súbita é “ridícula” porque “hoje se lêem bem livros do século XVI”. Sobre o mercado editorial não vê mal nenhum na concorrência em cada país lusófono: "Oxalá os livros em Português possam circular com facilidade em todo o mundo!”. “Quando se fizeram mudanças na ortografia sempre houve oposição, mas depois de um período as novas grafias entraram facilmente nos hábitos dos falantes de Português”, conclui o pesquisador em entrevista por e-mail.
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Visão de um angolano
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“Angola tem mais a ganhar com a existência de uma ortografia unificada do que Brasil ou Portugal”, afirma o jornalista e escritor angolano José Eduardo Agualusa. O país tem, segundo ele, apenas uma editora, que é estatal, e que se destina à publicação de editos (textos oficiais do governo). Agualusa teve de ir a África do Sul para publicar seus livros. “Em Portugal o custo é demasiado elevado, voltei triste”, afirma na entrevista por e-mail. O autor afirma que a principal vantagem reside na educação. “Precisamos desesperadamente de livros. Importamos livros de Portugal e do Brasil. Isso significa que temos livros em duas ortografias no nosso território, facto que suscita natural confusão, sobretudo aos leitores recentemente alfabetizados”, expõe no artigo Acorda, Acordo, ou dorme para sempre. E também alerta: “caso o acordo não venha a ser aplicado – por resistência de Portugal –, entendo que Angola deveria optar pela ortografia brasileira”.
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Mudanças
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As estimativas estão em 1,6% de modificação para o português europeu e 0,5% para o português brasileiro. As mudanças são:
O alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão oficial de ‘k’, ‘w’ e ‘y’, na aplicação de palavras de outras línguas.
Fica abolido o trema, até na poesia, à exceção de palavras estrangeiras: qüinqüênio passa-se a escrever ‘quinquênio’; lingüiça, alcagüete, e agüentar passam a ‘linguiça’, ‘alcaguete’ e ‘aguentar’, em seqüência; ‘müelleriano’, por exemplo, permanece com o trema.
É abolido o acento de ditongos abertos: heróico, jóia e idéia escrevem-se ‘heroico’, ‘joia’ e ‘ideia’; de paroxítonas dobrada com ‘oo’ e ‘ee’: enjôo, abençôo e lêem passam a ‘enjoo’, ‘abençoo’ e ‘leem’; e os diferenciais: pára e para grafam-se como ‘para’, pêlo, pélo e pelo grafam-se ‘pelo’.
O hífen cai em aglutinações quando a segunda parte começa com ‘r’ ou ‘s’, dando origem a um dígrafo: contra-regra e anti-sistemático passam a ‘contrarregra’ e ‘antissistemático’; mas permanece quando o prefixo termina com as mesmas letras: hiper-regulado e pós-surrealismo ficam do mesmo modo.
Os ‘c’ e ‘p’ mudos escritos no português europeu sem serem pronunciadas caem: baptismo, carácter, e electrónico escrevem-se ‘batismo’, ‘caráter’, e ‘eletrónico’; cai o ‘h’ de algumas palavras: húmido e herva passam a ‘úmido’ e ‘erva’; mas mantém-se o ‘h’ em onomatopéias: ‘hem’, ‘hum’, ‘hã’.
É facultativo o uso de acento agudo ou circunflexo conforme a pronúncia e de alguns usos de plural: ‘eletrônico/eletrónico’, ‘fêmur/fémur’, ‘hífens/hífenes’.
As regras e exemplos foram extraídos do próprio Acordo Ortográfico.
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Histórico do Acordo
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1911 – Com a Proclamação da República em Portugal, constitui-se uma nova ortografia, sem ser debatida com o Brasil.
1931 – Primeira aproximação e tentativa de Acordo entre a Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa.
1940 – Lançamento do vocabulário da língua portuguesa em Lisboa.
1943 – Lançamento do vocabulário da língua portuguesa no Rio de Janeiro.
1945 – Primeiro Acordo Ortográfico (bastante semelhante à proposta atual), realizado pela divergência dos vocabulários, aprovado em Portugal, mas vetado no Brasil.
1971 – Nova tentativa de aproximação com mudança local da ortografia no Brasil (supressão dos acentos de palavras como ‘sòmente’).
1975 – Tentativas falhas de acordo.
1986 – Reação à idéia de excluir os acentos das proparoxítonas. Criação da CPLP.
1990 – Elaboração do atual Acordo Ortográfico.
1998 – Primeiro Protocolo Modificativo, estendendo o prazo de ratificação.
2004 – Segundo Protocolo Modificativo, aceitando o Timor Leste na CPLP e permitindo que a ratificação de três países faça o Acordo entrar em vigor.
2005 – Ratificação do Brasil.
2006 – Ratificação de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.
2008 – Ratificação de Portugal e encontro da CPLP sobre implantação da nova ortografia.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Abaixo os altos salários

Estudantes protestam contra salário de vereadores em Joinville

por Sérgio Luiz Lourenço

Um protesto em frente à Câmara de Vereadores de Joinville nesta terça-feira, 10 de junho, reuniu aproximadamente 150 pessoas – destes, 63 estudantes – que se manifestaram contra o aumento do salário dos parlamentares. Aprovado em duas votações e válido para a próxima legislatura, se sancionado pelo prefeito, o salário de quem for eleito em 3 de outubro será R$ 8,7 mil mensais por 3 dias de trabalho semanal.
A manifestação que iniciou fora da Câmara continuou no plenário da casa. Dessa vez, o “Batman” não apareceu e alunos que pretendiam usar máscaras do super-herói dos quadrinhos, foram impedidos pela segurança. A sessão chegou a ser interrompida por cinco minutos.
Ao término da reunião, depois de muita insistência, o presidente do legislativo, Fábio Dalonso, concedeu 3 minutos para que fosse lido um documento dos manifestantes questionando o reajuste. A leitura foi autorizada pelo departamento jurídico da Câmara. Nele, os estudantes demonstram indignação e destacam que o mais justo seria um aumento de 6%, o mesmo que receberam os servidores públicos municipais. “Vamos fazer outra protesto amanhã”, disse o jovem Felipe Silveira, um dos organizadores do movimento estudantil.

Para Dalonso, manifestantes aumentariam os próprios salários, se pudessem

Visivelmente nervoso, o presidente da Câmara, Fábio Dalonso, disse em seu gabinete que aumentar os salários não é legislar em causa própria, como acusam os manifestantes. “Vale somente para a próxima legislatura”, afirmou. Ele explicou que no mesmo período os demais servidores tiveram aumento de 11%. Somando a uma estimativa de 6% a cada um dos 4 anos, resulta em 35%, que foi o aumento aprovado.
Para entrar em vigor, o projeto de lei depende agora da sanção do prefeito Marco Tebaldi, que tem 60 dias para se manifestar sobre a matéria. Dalonso disse que o chefe do executivo sempre respeitou a “soberania” da Cãmara, e que ele (o prefeito), não vai rejeitar o projeto. Sobre a imoralidade do aumento, Dalonso declarou: “E se eles [os manifestantes] pudessem aumentar os seus salários?”.

Bom Jesus/Ielusc propõe articulação institucional

Quatro faculdades locais pretendem estabelecer vínculos

Por Débora Kellner

A iniciativa do Instituto Educacional Bom Jesus/Ielusc de efetivar uma articulação institucional com a Universidade da Região de Joinville - Univille, o Centro Universitário de Jaraguá do Sul - Unerj e o Centro Universitário Franciscano - UNIFae (Curitiba) está em andamento e pretende assegurar a sobrevivência das instituições. Desde abril gestores e equipes pedagógicas das faculdades participam de reuniões para estabelecer os vínculos e dar andamento ao processo. O coordenador do curso de jornalismo do Bom Jesus/Ielusc, Samuel Lima, afirma que o projeto é inicial mas se fechado acordo deve entrar em vigor no primeiro semestre de 2009.

A venda do Instituto Superior de Joinville (Iesville), a Faculdade de Tecnologia São Carlos (FATESC) e da Faculdade de Tecnologia de Jaraguá do Sul (FATEJ) para a Anhanguera impulsionou essa aproximação. A Anhanguera Institucional possui mais de trinta unidades no país. Jaraguá do Sul e Joinville são as primeiras do estado. A entidade pagará R$ 30 milhões pelo negócio.

As instituições locais tentam se articular para evitar que as faculdades não sejam vendidas. Pretendem favorecer a obtenção de ganhos e lucros, redução de despesas compartilhando compras: livros, computadores, papel. As idéias iniciais de compartilhar professores e um vestibular igual foram descartadas.

O reitor da Univille e atual presidente da Acafe, Paulo Ivo Koehntopp, afirma em entrevista ao A Notícia que os alunos serão beneficiados com essa articulação. “Podemos criar mobilidade de estudantes, tornando semelhantes ementas de cursos iguais em instituições diferentes. Vamos compartilhar também infra-estrutura. Instituições muito próximas, como a Unerj e a Univille, podem usar uma o laboratório da outra”.

No dia 1 de julho acontecerá uma reunião em Curitiba em que serão definidos mais detalhes sobre a aproximação e se outras faculdades poderão ser incluidas no projeto.

Estima-se que com a vinda da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) as faculdades locais poderão estabelecer novas parcerias e novos projetos.

Vereadores ignoram protesto de estudantes contra aumento salarial de 36,28%

Por Ariane Pereira

Os estudantes do Bom Jesus/Ielusc, Univille e Udesc que compareceram hoje à Câmara de Vereadores de Joinville para protestar contra o aumento de 36,28% no salário dos vereadores ficaram sem saber o que vai acontecer a seguir. Uma carta, que exige do prefeito Marco Tebaldi o veto da decisão tomada no último dia 5, foi entregue aos vereadores, que a protocolaram após a leitura feita pelo aluno do curso de História Felipe Rodrigues, da Univille. A sessão foi encerrada sob a vaia dos cerca de 60 estudantes presentes. Os vereadores se retiraram e nada declararam aos manifestantes.

Adilson Mariano, um dos dois parlamentares que votaram contra o aumento, acha uma “injustiça e um contra-senso” aprovar 36,28% de acréscimo no próprio salário, enquanto os demais servidores públicos receberão apenas 6%, divididos em três vezes. O vereador apóia que o povo vá para a rua e reivindique seus direitos. Em relação a nota publicada na coluna de Jeferson Saavedra no AN, que se referia ao movimento dos estudantes como “turma do Adilson Mariano”, o vereador se mostra indignado: “o povo não pode se rebelar contra as ações desse poder, tem que ter alguém por trás? É duvidar da inteligência do povo”, diz.

Durante a sessão, na qual os vereadores estavam fazendo uma votação para o nome de uma escola, os estudantes mantiveram uma manifestação pacífica, com faixas de frases de protesto e brados que interrompiam a fala dos vereadores – embora sem xingamentos e palavrões. O presidente da Câmara, Fábio Dalonso, suspendeu a sessão e ameaçou não reabri-la caso os estudantes continuassem a atrapalhar o andamento da reunião. Após os ânimos se acalmarem, a sessão foi reaberta. Vários dos manifestantes estavam com narizes de palhaço, inclusive Ester Pereira Alves, uma senhora que soube do protesto pela Rádio Globo. Ester resolveu juntar-se aos jovens estudantes por ter ficado indignada com o aumento. Ela argumenta que há vários postos de saúde na cidade nos quais chove dentro, porque o poder público alega falta de dinheiro para o conserto.

Os estudantes pretendem se encontrar amanhã ao meio-dia em frente à prefeitura, a fim de entregar ao prefeito Marco Tebaldi um documento no qual se pede o veto do projeto de lei.

Biblioteca investe em segurança antifurto

Compra de equipamentos foi efetuada hoje à tarde
Por Ariele Cardoso

As bibliotecas das Unidades Centro e Saguaçú do Bom Jesus Ielusc contarão, a partir de julho, com antenas eletrônicas que acusam a retirada indevida de material. A aquisição dos equipamentos que garantirão a segurança do acervo foi efetuada hoje, pela bibliotecária da Instituição, Maria da Luz H. Machado, 47.

As antenas vêm da Paros Soluções Antifurto, de Blumenau, e possuem 170cm de altura e 39 de largura, com abertura de até 90cm. Funcionam por radiofreqüência e sua detecção média é de 96%. Cada unidade do acervo levará uma etiqueta adesiva que, segundo a empresa revendedora, “permite impressão em sua superfície (transferência térmica) ou já vem de fábrica com a impressão de um código de barras falso, que é o mais comum”.

A compra do material vinha sendo negociada desde 2006 e custou R$ 16.500,00 à Instituição (R$ 10.100,00 as antenas e R$ 6.400 as fitas adesivas).

Abaixo, fotos das antenas e etiquetas que serão utilizadas na biblioteca:


segunda-feira, 9 de junho de 2008

ACHADOS CONTINUAM PERDIDOS

Objetos esquecidos na Faculdade não têm lugar apropriado

O IELUSC ainda não se tem um local apropriado para os objetos perdidos nem há expectativas de se ter. Segundo Eliziane Reinert (Lize), 23 anos, secretária do curso de comunicação social, muitos objetos são deixados com ela à espera que o proprietário o venha reclamar. Outros objetos são entregues, nas demais coordenadorias, levando em consideração as salas onde foram encontrados, destaca. “Deveríamos ter um local apropriado para deixar este material, mas mesmo assim a maioria dos objetos é entregue ao verdadeiro dono”, conclui Lize.

Segundo Irma Azevedo e Isabel Tolomiotti, zeladoras, os objetos encontrados nas salas muitas vezes são deixados nas gavetas dos professores, para assim serem entregues aos alunos. Recentemente a zeladoria teve problemas com uma das alunas que havia perdido uma blusa, mas a roupa foi encontrada com outros alunos que a tinham guardado, comenta Isabel. “Encontramos muitas sacolas de compras, celulares e carteiras, deixados com a Lize da coordenadoria, ou até mesmo aqui na cozinha”, destaca Irma.



De acordo com Irma, uma das situações mais engraçadas por que passaram, foi a de uma aluna que esqueceu um aparelho dentário embrulhado em um papel. Ela se deu conta alguns minutos depois do término de uma palestra. Ao procurar pelas zeladoras, que já haviam limpado as salas, teve a sorte de achar o embrulho entre as latas de lixo que foram revistadas.

Já Juliana Bonfante, professora, esqueceu seu “pen drive” em um dos laboratórios de informática. O objeto encontrado na aula seguinte pela estudante de jornalismo Tatiana Sabatke. Ela identificou o proprietário através dos arquivos registrados. Após saber de que se tratava o deixou com o professor Frederico Carvalho que o entregou à dona. “Fiquei muito feliz com a honestidade da estudante e gostaria de agradecê-la pessoalmente, pois tinha muitos arquivos importantes guardados ali dentro”, diz Juliana. (por Rodrigo Silveira)

terça-feira, 3 de junho de 2008

AN ESCOLA: INCENTIVO A LEITURA?



Por Carolina Raquel da Veiga


Para alguns profissionais da rede municipal de ensino de Joinville a eficácia do AN Escola pode ser questionada, contudo, existem divergências entre as opiniões. Duas das três professoras entrevistadas disseram achar a idéia interessante e válida, entretanto ambas garantem, por experiência, que somente o jornal não motiva as crianças, nem as torna leitoras.

Ambas as professoras afirmaram que sem o trabalho e a intervenção do docente em sala de aula, as crianças não buscam o material na biblioteca escolar, quando há, e não compram o jornal para ler ou ver os trabalhos publicados no caderno. Para elas, a parceria entre o jornal e o professor deve ser contínua, com ênfase para o papel do professor. Ele deve ser o principal responsável em despertar o interesse dos alunos para a leitura. Pode e deve, fazer uso de mecanismos como o jornal para isso.

Apenas a terceira professora, de 3ª e 4ª série, e que também já participou do programa, tendo inclusive um texto de autoria própria publicado, discorda das demais. Para ela o projeto válido, útil e funcional. Diz ter tido alunos que desenvolveram o gosto pela leitura após terem seus trabalhos publicados. “Eles iam conferir os seus e acabavam lendo os trabalhos das outras crianças e até outros cadernos do jornal, enquanto o folheavam até chegar ao AN Escola.

Todas as profissionais questionadas sobre o caderno são docentes na Escola Municipal Prefeito Joaquim Félix Moreira.

De acordo com a equipe responsável pela produção do suplemento, o objetivo da publicação é incentivar a leitura de educandos das redes públicas de ensino de Santa Catarina, principalmente aonde a única fonte de informação que chega é o jornal. De acordo com eles, a publicação dos trabalhos escolares desperta nos alunos o interesse para ler e participar do caderno.

O caderno conta com publicações de trabalhos escolares, textos curtos em letras grandes e diagramação solta, para tentar atrair a atenção do seu publico alvo.

O AN Escola é um projeto desenvolvido em parceira com a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e faz parte do programa Jornal e Educação. A iniciativa consiste em desenvolver o gosto pela leitura em alunos brasileiros em todos os níveis de aprendizagem. Em Joinville o projeto existente há 10 anos.

O programa é composto por duas edições – uma municipal, da qual participam 15 municípios catarinenses, com temas pré-definidos pela equipe de produção. E uma edição estadual sem temas pré-definidos. Nela , uma seleção prévia dos trabalhos é feita pela Secretaria de Educação do Estado, depois eles são enviado ao jornal, quando uma nova seleção é feita para que a edição do caderno possa ser desenvolvida.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um grande desafio

Por Zelir da Costa


No dia 28 de maio, quarta-feira, o shopping Müller e a praça Nereu Ramos foram palco de um evento que acontece todos anos na cidade de Joinville e em outros estados. Itajaí, Balneário Camboriu, Rio do Sul, Blumenau e Brusque também participaram com seus respectivos municípios e se organizaram nas suas cidades, este ano foram 22 inscritos para o Dia do Desafio. Participaram do evento em Joinville as instituições de ensino superior Univille e Bom Jesus Ielusc. Os acadêmicos de Educação Física das duas instituições orientavam e chamavam as pessoas para participarem da competição. Santa Catarina estava competindo com uma cidade do méxico chamada Nícolas Romero. O tema desde ano foi “ Driblando a Inatividade”.

Criado no Canadá em 1983, o Challeng Day - Dia do Desafio - vêm sendo realizado no Brasil desde 1995, sob coordenação geral do Sesc de São Paulo. Realizado sempre na última quarta-feira de maio, o Dia do Desafio propõe que idosos, adultos, jovens, adolescentes e as crianças, interrompam suas rotinas para praticarem 15 minutos de qualquer atividade física. Nesse dia cidades com o mesmo porte estabelecem uma competição; na tentativa de envolver nas atividades propostas o maior número de pessoas em relação a totalidade de habitantes, em porcentagem. O município que mobilizar o maior número de participantes para a prática de esportes em relação ao número oficial de habitantes vencerá a disputa e, terá como maior prêmio a melhoria da qualidade de vida de seus moradores. Graças ao incentivo ao esporte.

Essa disputa é amigavél e o objetivo é incentivar a prática de atividade física regular. Quem sai ganhando é o povo, afirma Caroline Luiza Pereira, 29 anos, ajudante de coordenação do evento no Shopping Müller. As atividades propostas no evento são, alongamento, bicicleta, esteira, cama elástica e outras brincadeiras para as crianças, acrescenta Caroline.

Ana Maria Carrara Vicente, 38 anos, bancária, ficou emocionada e praticou um pouco de exercício. Deixou seu bebê com o esposo passeando no Shopping e fez 15 minutos de esteira. “ A gente sabe que deve fazer exercício porque faz bem a saúde mas, eu particularmente, tenho preguiça e tenho que cuidar do meu filho. Ele toma muito do meu tempo e sempre que ele dorme procuro descansar” afirma a bancária.

Para a acadêmica de Educação Física da Univille, Alessandra dos Santos, 27 anos, esse evento é de grande importância: “ A correria do dia a dia, a falta de tempo e o cansaço são três, das muitas razões que fazem com as pessoas se distancie das práticas esportivas. Mas, o importante disso tudo é que o dia do desafio, desafia as pessoas a terem pelo menos 15 minutos de atividade esportiva uma vez no ano. Muitos deles, levam á diante e praticam no cotidiano mas, a maioria não, é uma pena” afirma.

Segundo a coordenadora Caroline, todas as escolas municipais de Joinville participaram e que, a empresa de ônibus Transtusa de Joinville, disponibilizou alguns veículos para transportar as crianças até a praça Nereu Ramos para participarem do Dia do Desafio. Todas as cidades e seus respectivos municípios participantes recebem como prêmio um troféu de participação.

sábado, 31 de maio de 2008

Alemanha multifacetada em Sarau Itinerante

Perfil

por Luiza Martin


O público se espremia na sala Luiz Henrique Schuanke do Museu da Arte de Joinville durante o 3º Sarau Itinerante de 2008. A maioria era estudante do Caic Desembargador Professor Francisco José de Oliveira. No mesmo dia (27/05), a mulher de 70 anos, dos olhos e tallier azuis e do cabelo vermelho divulgou o novo sistema de luz responsável pelo tom amarelado da noite dentro da sala do Sarau. O nome dela é Marina Heloisa Medeiros Mosimann. Marina dirige o museu e em todas as apresentações, principalmente na do coral da ACE (Associação Catarinense de Ensino), foi entusiástica nos aplausos. Antes de ocupar a direção do museu, vendia obras de arte.

No ambiente, havia o chão de madeira escura, as pinturas pregadas na parede, 50 cadeiras ocupadas pelo público e as quatro bandeiras: brasileira, alemã, catarinense e joinvilense. Os participantes se limitaram à cultura germânica manifestada na arte, nas brincadeiras tradicionais e na história dos alemães em Joinville. Ilca Behnke, descendente de alemães que divulga os hábitos germânicos pelo país, disse um pouco atrapalhada ao traduzir, que “o alemão jamais deve esquecer sua origem, mas a pátria brasileira também não pode ser desprezada”. Ilca, aos 76 anos relatou uma viagem de Belém a Manaus feita de barco. Ela percorreu todo o trajeto vestida de alemã, para propagar sua cultura.


A anfitriã
Alcione Pauli, 31 anos, se inspirou em Tom Jobim ao batizar a filha: Luiza. Casada com o professor Alencar Schueroff – muito lembrado pelo uso da música nas aulas de literatura –, se formou em letras e faz mestrado sobre Patrimônio Cultural e Sociedade. A tiara vermelha que ela usava no cabelo castanho combinava com a cor das unhas e completava o traje típico germânico. A despeito da indumentária, Alcione se considerou incluída no perfil da “mulher contemporânea, que gosta de viver essa contemporaneidade ao máximo na arte, na cultura e na família”.

Mozart para ouvir Goethe
Luzes apagadas, duas lanternas de emergência, um bastão de madeira, Wolfgang Amadeus Mozart a tocar e Johann Wolfgan von Goethe interpretado por Allan Marllon Viana foi a soma necessária para deixar o público boquiaberto. O ambiente sombrio sugeria a última ânsia do alemão, Goethe: “Abram a janela do quarto, para que entre mais luz”.

Allan desafiou a linguagem verbal – precisou de apenas um dia para aprender o alemão e aplicá-lo em frases intercaladas com outras em português, enquanto andava da esquerda para a direita na sala do museu. Tamanho esforço lhe rendeu uma bolsa de estudos, para aprender o idioma, concedida e anunciada durante o Sarau. O ritmo dos passos dele foi marcado pela combinação entre a música e sua voz. A primeira palavra que pronunciou encerrou a primeira fase da apresentação, a “da gastrite extra-emocional”. Pois, a genialidade que se esconde atrás dos óculos arredondados teme se revelar – sofre de timidez.

O jovem de 20 anos que tem como segunda casa a biblioteca municipal de Joinville, de tanto que lê, estuda e atua não tem tempo para comer. É magro. As calças caem. Por isso adora sua coleção de suspensórios (e porque só lhe servem os cintos infantis). Allan tem a mente inquieta de um gênio habitando a estrutura franzina de um nordestino, que mora em Joinville. Admira a performance do ator Matheus Nachtergaele e os autos do dramaturgo Ariano Suassuna. Já trabalhou no teatro drama e regionalista nordestinos. Sua relação com a arte dramática transita pela contação de histórias, pela poesia escrita por ele próprio, pela interpretação e pelo estudo do teatro.

“Sarau é a maneira mais plena de expor seu íntimo. É falar de amor e plenitude”, divagou Allan. Ele tanto aprecia essa confraternização a favor da arte, que se apresenta em todos os eventos realizados pela Biblioteca Municipal de Joinville.


Brincadeiras e estripulias

Seis crianças do grupo folclórico Windmühle, pertencente à Sociedade Cultural Lírica, mostraram as brincadeiras típicas dos alemães de Joinville. Não se aquietaram em nenhum momento. O pai de duas delas, Odinei Petri, confessou que Josiane, seis anos de idade, e Carlos Eduardo, de apenas quatro anos, não cessam as brincadeiras. Odinei é operador de produção e contou que o filho menor diverte a todos com as trapalhadas – “na Festilha (Festa das Tradições da Ilha de São Francisco), ele escorregou no tablado de madeira e fez todos os colegas caírem”, recordou rindo.

Josi e Dudu, como são chamados pelo pai, formam o casal mais novo do grupo. Para ela a melhor dança é a do “ursinho”, semelhante a sua rotina. Isso porque narra a história de crianças que brincam, festejam e riem até o momento do sono, metaforicamente lembrado como a hora do ursinho.


Uma tríade muit
o entrosada
Maestro, pianista e cantores formam o coral da ACE, que entoou seis melodias no Sarau Itinerante. Dentre elas estava a Marcha Turca de Mozart. A voz do coral foi formada por 29 estudantes. Um deles, Jeferson Jones Bernardes Filho, que tem 20 anos, é estagiário em um escritório de advocacia. Além de estudar Direito na ACE à noite e trabalhar de dia, o futuro advogado joga handebol segunda e quarta-feira das 20horas à meia noite. Na segunda e quinta-feira após às 18h, ele se dedica ao coral durante uma hora. Cantar para Jeferson é lazer.

Mas para o maestro, Luiz Fernando Melara, e para a pianista, Marisa Toledo, música é profissão. Depois da regência vigorosa, o rosto de Melara brilhava de suor. Ele se formou regente na Escola de Música e Belas Artes do Paraná e se aposentou como professor de música pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) em 2005, quando retornou para Joinville. Dirige a orquestra da ACE e já havia participado do coral da Univille (Universidade da Região de Joinville), da qual cobrou indenização pelo uso indevido de seu trabalho após sua demissão em 1999.

Com o som do piano eletrônico, Marisa acompanhava os cantores. Quando ela tinha “mais ou menos dez anos” de idade e três de aulas de piano clássico, ganhou seu primeiro órgão. A pianista é formada pelo Conservatório de Música Erudita e fez pós-graduação em música brasileira. Grávida do primeiro bebê aos 35 anos, Marisa leciona na casa da cultura e demonstrou ser muito tranqüila e consciente da profissão que escolheu. “Trabalhar com música, profissionalmente, não é fácil para ninguém. Só seria se tocassem na banda da Madonna”, comentou ironizando os que almejam a ascendência econômica repentina.


fotos: Luiza Martin

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A Biblioteca, o Sarau, o Museu e a Alemanha

A noite em que a cultura alemã se encontrou com a arte do Museu em reforma.

A sala ficou pequena no início do sarau

Por Priscila Farias Carvalho

O Museu de Arte de Joinville reabriu em sessão especial para receber o 3º Sarau Itinerante do ano, promovido pela Biblioteca Pública Municipal Rolf Colin, em 27 de maio, às 20h. Mais de 70 pessoas, entre estudantes e apreciadores da arte, disputavam espaço na apertada e quente sala Luiz Henrique Schwanke, que inaugurava nova iluminação doada pela empresa Brascola.

O diretor da Biblioteca Pública, Reginaldo Jorge e a organizadora do Sarau, Alcione Pauli, foram os mestres de cerimônia do evento. Contando com apoio voluntário, a Biblioteca tenta manter o projeto em lugares representativos da cidade, para que não necessitem encerrar as atividades enquanto o prédio é reformado.

A diretora do museu, Marina Mosimann, pedia a todo instante que as pessoas desencostassem de alguns dos quadros dispostos pela sala Luiz Henrique Schwanke. Grande parte do público era formado por alunos do Caic “Professor Desembargador Francisco José Rodrigues de Oliveira” que agendaram visita com a Biblioteca para participarem do sarau.

O estudante da 5ª série noturna João Carlos Dalbosco, 14 anos, que participava pela primeira vez de um sarau, não sabia que iria ao museu naquela noite e reclamava muito do calor. A maior parte dos estudantes permaneceu de pé durante as apresentações. Só havia cerca de 50 cadeiras disponíveis, ocupadas em grande escala por adultos e idosos.

Allan Viana expôs a performance de Labirinto Particular com as luzes do ambiente apagadas. O garoto magrelo - que usa óculos de grau - e vestia roupas pretas (calça social, camisa e suspensório), recitou trechos da peça Fausto, de Goethe, em alemão treinado numa só aula. Ao prestar seus agradecimentos, ele pediu desculpas pelo alemão desleixado que apresentou e alegou ser admirador de Hermann Hesse.

Intensa foi a apresentação do Coral da ACE, composto por 29 cantores regidos por Luiz Fernando Melara e acompanhados pela pianista Marisa Toledo. Cantaram seis músicas, como Jura e Festa do Interior. A historiadora Raquel S. Thiago, fez uma breve exposição da história de Ottokar Doerffel, primeiro prefeito da cidade de Joinville e imigrante alemão que morou na casa onde hoje está instalado o Museu de Arte de Joinville, em frente à Cidadela Cultural Antarctica.

Uma dupla de bandoneonistas apresentou músicas típicas alemãs. O público se entusiasmou tanto que precisaram tocar mais uma música. Para finalizar, seis crianças do grupo folclórico Windmühle apresentarem danças alemãs infantis, que ensaiam todos os sábados na Sociedade Lírica e integrantes do Instituto Cultural Brasil-Alemanha declamaram textos em alemão. Quase sem platéia, as atividades do 3º Sarau Itinerante terminaram às 22h.


Tudo pela paixão à arte

Com a promoção de saraus a Biblioteca Pública vem ajudando a valorizar as várias culturas que compõem a história de Joinville. A organizadora Alcione Pauli, 31 anos, enfatizou que o Sarau é “um espaço informal para que o público interaja com os artistas”. Não foi o que aconteceu. Devido às poucas intervenções, ao final do evento no MAJ, Alcione desabafou. Para ela, a falta de informação da platéia é um obstáculo, pois para muitos era o primeiro encontro com outras formas de arte. Segundo Alcione, uma das intenções da Biblioteca é fomentar a movimentação dos jovens pelo contato com informação e cultura para mudar esse quadro.

foto: Luiza Martin

Contagem regressiva para ativação total do Hospital Infantil

Jacqueline Vasconcellos
É pra valer. O Hospital Materno-infantil Doutor Jeser Amarante Faria deverá entrar em pleno funcionamento até abril de 2009 por ocasião da escolha do novo administrador da Organização Social (OS). A direção geral do hospital ficou com a instituição Nossa Senhora das Graças, de Curitiba. Falta agora só assinar o contrato que seguirá critérios semelhantes aos utilizados pela Secretaria da Saúde de São Paulo com algumas alterações e iniciar o processo de seleção dos funcionários que deverão ser daqui mesmo de Joinville.

A instituição privada assumiu a administração do hospital para reduzir os gastos ao Estado que sinalizou não ter mais condições financeiras devido aos R$ 40 milhões já investidos em obras físicas para a construção do prédio e o gasto com equipamentos de R$ 15 milhões (investimento que representa 70% hoje). O novo comando pretende diminuir a burocracia para o funcionamento e também a “politicagem” que prejudica decisões e andamento das negociações. Desde o início da construção em 1997, o hospital enfrentou a troca de três governos estaduais e uma inauguração às vésperas da última eleição estadual em setembro de 2006 revelam o quadro atual do hospital que funciona apenas com 26% de sua capacidade. Dos 168 leitos existentes apenas 45 funcionam – seis da UTI pediátrica, dez para tratamento oncológico (câncer) e 29 leitos para internação em geral.

Quase dois anos se passaram e o Hospital infantil de Joinville parece encerrar a longa espera. “Está tudo pronto, o hospital tem quase todos os equipamentos e de última geração; tem andares prontos para abrigar leitos de internação geral, atender e abrigar pacientes na ala de queimados, cardiologia, neurologia e oncologia infantil”, comenta Sheila Fernandes secretária administrativa do Hospital Regional. Com o contrato firmado, “boa parte da infra-estrutura do hospital começará a funcionar em meados de julho”. A maior demora será a inclusão das especialidades para que toda a infra-estrutura opere 100%, pelo fato da OS ter de obter no Ministério da Saúde o credenciamento (que leva de seis a oito meses) nas áreas de cardiologia e neurologia infanto-juvenil (zero a 18 anos) por ser considerado atendimento de alta complexidade. Hoje, esses serviços encontram-se disponíveis apenas em Florianópolis, no Hospital Joana de Gusmão.

A atual administração já analisou o atendimento aos pacientes no Hospital e elogiou a qualidade dos serviços prestados no presente momento. A intenção é a busca pela excelência na qualidade dos serviços pediátricos com o atendimento preferencial do SUS em 100% mas com a eficiência de hospital privado. A expectativa é grande a começar pela ativação completa das UTIs (dez vagas) e oferta de mais leitos. Ficará faltando completar os 123 leitos, centro cirúrgico, ambulatório, emergência, pronto-socorro e as alas de cardiologia, neurologia e de queimados (de zero a 18 anos). Agora é esperar que Joinville possa ter orgulho de uma unidade hospitalar de referência no Estado há muito esperado: o de resolver com eficiência e eficácia os problemas com atendimentos pediátricos.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Dois Caminhos lota Teatro Juarez Machado




Por Débora Kellner

O Teatro Juarez Machado ficou pequeno para o espetáculo “Dois Caminhos” dos coreógrafos Sérgio Lobato, Gustavo Côrtes e Petrônio Ferreira, dia 27, em Joinville. Os ingressos comprados na hora do evento esgotaram-se rapidamente. Cerca de 400 pessoas foram prestigiar as coreografias ensaiadas durante três semanas. Os bailarinos da escola do Teatro Bolshoi no Brasil e Cia Jovem ETBB encantaram o público com a Dança Popular Brasileira e o Neoclássico.



O professor e ensaísta do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Sérgio Lobato, trouxe a coreografia neoclássica “Improviso”, uma miscigenação de dança clássica e contemporânea. Gustavo Côrtes trouxe de Minas Gerais o folclórico e a dança popular. Para deixar clara essa mistura, Côrtes tirou as sapatilhas dos alunos que dançaram grande parte do espetáculo descalços.



Os bailarinos do Bolshoi ficaram surpresos com as novidades da escola nos ensaios, mas aprovaram as mudanças. Tomas Quaresma, 20 anos, é nordestino e afirma que essa mistura é importante para a cultura brasileira. “São novidades muito bacanas, uma junção com a dança contemporânea, uma apresentação diferente. Eu fiquei feliz de ver xaxado e muito xote no palco”.



A bailarina Rafaela Naesri, 16 anos, não havia dançado outro estilo além do balé clássico. Ela explica que pretende mudar para a dança contemporânea: “Essa inovação que vivenciamos hoje mudou meu jeito de pensar. Agora pretendo experimentar outros estilos para aprender de tudo um pouco e depois me encaixar no contemporâneo”.



O estudante Thiago Baur, 20 anos, se surpreendeu com o diferencial deste espetáculo. “É a primeira vez que assisto os bailarinos do Bolshoi, e nunca os imaginei dançando descalços, desde balé clássico até dança nordestina”.



O espetáculo “Dois caminhos” foi apresentação única. A escola do Bolshoi optou por não repetir as coreografias para que o público vá ao teatro para prestigiar a dança.



As fotos do evento podem ser conferidas no site http://www.escolabolshoi.com.br/

quarta-feira, 28 de maio de 2008

“Dois caminhos”: Estilos de uma dança

Coreógrafos apostaram no Pas de Deux com o Xote nordestino

Da obra clássica da Rússia ao encanto da música popular brasileira. Essa foi à combinação apresentada pela Escola Bolshoi e a Cia Jovem ETBB, no espetáculo “Dois caminhos, dança popular brasileira e neoclássica”, dos coreógrafos convidados Sérgio Lobato (Theatro Municipal do Rio de Janeiro), e os mineiros Gustavo Cortês e Petrônio Ferreira. A atração foi ao palco, ontem, no Teatro Juarez Machado. Os autores não estavam presentes, mas os produtores, bailarinos e a platéia aprovaram a obra.

“É legal trazer professores brasileiros para fazerem essas misturas de culturas”, explica a bailarina Stephanine Ricciardi. 20 anos. A jovem, que há seis anos pratica as vaiações da dança clássica da Rússia, apóia a união de técnicas de outros países com as do Brasil. “Interessante. Pois proporciona um aproveitamento melhor e traz conhecimentos novos”.

Para os professores da Escola Bolshoi, a experiência de outros coreógrafos e estilos é muito importante para o rendimento dos alunos e instrutores da instituição. “Gratificante, rico em informações, que poderão ser empregadas nos nossos trabalhos futuros”, diz Alessandra Hilário da Costa, professora que ajudou a ensaiar a obra.

O espetáculo, que durou cerca de uma hora, iniciou com o “Improviso” de Sérgio Lobato. Durante as performances dos artistas passos e movimentos da dança clássica – como Pas de deux e outras variações - foram apresentados. “São momentos de intensa atividade musical e de coreografias vigorosas, expressas nos corpos dos bailarinos”, explica Lobato em nota.

Em seu segundo momento contrastante, foram apresentadas as variações artísticas da dança nordestina, quebrando o frio das apresentações clássicas, dando espaço ao calor e a ousadia do xaxado, xote, coco e maracatu, interpretados pela Cia Jovem ETBB. “Danças e a projeção artísticas destas manifestações folclóricas são essenciais para a formação completa de um artista profissional”, comenta o coreógrafo Gustavo Cortês, no release da obra.

Por Cesar Blanski

terça-feira, 27 de maio de 2008

Começa a Pesquisa de Orçamento Familiar

Em Joinville serão pouco mais de 300 famílias pesquisadas


Por Ronaldo Santos



Iniciou no último dia 19, em todo o país, a coleta de dados para a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). O consumo e as despesas das famílias são o foco da análise. Entre os objetivos da coleta estão a obtenção de informações sobre a estrutura de orçamentos, estado nutricional e condições de vida das famílias brasileiras. Neste ano, pela primeira vez, as coletas de dados sobre consumo de alimentos serão feitas individualmente, com cada integrante das famílias. A pesquisa é promovida pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, com apoio do Banco Mundial, e realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dados serão divulgados em abril de 2009.


A pesquisa será por amostragem. Em todo o Brasil, os 750 pesquisadores visitarão 65 mil domicílios. Em Joinville, são pouco mais de 300 residências. A escolha das famílias é baseada nos dados do censo de 2000. Previamente elas recebem uma carta do IBGE detalhando como será feita a pesquisa e só depois o agente de pesquisa visita a residência. Para a coleta de dados, a cidade é dividada em setores. Cada setor é constituído por 13 residências. A cada três famílias, uma é escolhida para receber uma caderneta na qual, durante nove dias, serão reportados rendimento, gastos com alimentação, luz, telefone, energia e hábitos nutricionais.


A pesquisa recolhe dados sobre hábitos de consumo e condições de vida das famílias brasileiras. As estatísticas servirão também de parâmetro na metodologia de cálculo da inflação e planejamento de ações dos governos nas áreas de saúde, habitação e educação. A POF é realizada a cada cinco anos. Em 2008, convênios com o Banco Mundial no valor de R$ 23 milhões respondem por 43% do custo total do levantamento. O restante é bancado pelo próprio IBGE. O Banco Mundial utiliza os dados em estatísticas internacionais.

No caminho da fama

Estudantes do Ielusc investem no sonho de fazer sucesso

por Sérgio Luiz Lourenço

Elas são jovens, curtem baladas, sonham ser famosas e cursam jornalismo no Bom Jesus/Ielusc. Mas as semelhanças acabam por aí. Karoline Elizabeth Meier, 19 anos, 1,71m de altura, 56 kg, é modelo, disputou o título de Garota Verão, está desenvolvendo um programa que pretende em breve apresentar numa televisão local e acaba de rejeitar um convite para posar nua em uma revista masculina. A também joinvilense Marina Jhonson Schuartz, 18 anos, cantora há seis, viaja quinta-feira para São Paulo, onde participa da primeira eliminatória do programa Ídolos, da Rede Record. Bastante assediada (recebe 200 mensagens por dia em seus quatro perfis na internet), Karol Meir, como é conhecida, disse que não aceitou uma proposta para ser coelhinha da Playboy. O convite foi feito pela internet. “ O cachê é muito baixo”, diz, sorrindo, ao falar dos R$ 3 mil que lhe foram oferecidos. Que quantia considera razoável para posar numa revista masculina? Karol desconversa: “depende do cachê e de onde serão publicadas essas fotos” (risos). Ela pretende concluir o curso e investir na carreira de apresentadora de TV. Somente quando ficar famosa irá pensar de novo na possibilidade de tirar a roupa para uma câmera fotográfica.

Marina vai disputar com mais de 12 mil candidatos nessa primeira fase eliminatória do programa Ídolos. A primeira vez que subiu ao palco foi aos 12 anos em um festival para filhos de funcionários da Embraco. Marina está investindo no sonho de ser cantora. Ela faz aulas de canto e há mais de um ano economiza o que sobra do salário como funcionária do Detran para custear a viagem e a estadia em São Paulo. “Estou brigada com meu pai por causa disso”, desabafou. Determinada ela mostra confiança e acredita que vai estar entre os aprovados para a próxima fase.

Reinauguração do órgão de tubos da Igreja da Paz ocorrerá em 1º de junho

Por Ariane Pereira
No dia 1º de junho, às 19h, ocorrerá a reinauguração do órgão de tubos da Igreja da Paz, que teve sua restauração - no valor de R$ 175.000.00 - finalizada em março deste ano. A organista Lucy Mary de Souza Costa Leão irá tocar no evento, e para isso, está ensaiando desde março. Ela será a organista principal, acompanhada em algumas obras por outros músicos, e a organista da Igreja da Paz, Beatriz Meier, tocará o Hino da Comunidade.

A restauração teve início em fevereiro de 2007. O projeto foi aprovado em 2006 na Lei do Mecenato, o que rendeu uma ajuda de R$ 48.000,00. Os R$ 127.000,00 restantes foram doados pelas empresas Ciser e Döhler. O órgão estava danificado pelos cupins, o que interferiu seriamente em suas funções técnicas e sonoras. O instrumento era originalmente de sistema pneumático e o ar saía do console, passando por fios de chumbo, até chegar aos tubos. Com a umidade, o interior dos cabos foi danificado, e alguns tubos passaram a não receber ar suficiente. A restauração tornou esse processo elétrico, e agora, as teclas acionam uma chave óptica que, ao receber a luz, envia um sinal para um painel eletrônico abaixo dos 579 tubos. Depois, um fole grande manda ar para um fole menor, abrindo uma válvula que libera o ar para o tubo que deve soar.

Lucy Mary é coordenadora da Escola Villa-Lobos, da Casa da Cultura, e conta que o órgão de tubos é seu instrumento preferido. Por ser o único do tipo na cidade de Joinville, a organista ficou sete anos sem tocar. No dia da inauguração, seu filho mais novo, Isaque, irá virar as páginas da partitura para ela, pois suas mãos estarão ocupadas entre as teclas e os registros – botões que controlam a intensidade com que o ar sai dos tubos do órgão, fazendo com que o som seja mais forte ou mais fraco.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

É proibido fumar

Mais uma investida
contra o cigarro em Joinville


Estabelecimentos que servem refeições devem ter área para fumantes

por Sérgio Luiz Lourenço
Aprovado quinta-feira, 15 de maio, o projeto do vereador Marco Aurélio Marcucci (PSDB), proibindo o fumo em estabelecimentos que sirvam refeições em Joinville. Exceto se houver um local específico para fumantes. Por três dias a matéria foi motivo de discussão e polêmica na câmara municipal. A votação foi adiada por duas vezes. Na terça-feira o presidente do legislativo, Fábio Dalonso (PSDB), pediu o parecer jurídico. No dia seguinte mais uma vez não houve entendimento. Alegando ter extrapolado o horário regimental, 19h, Dalonso encerrou a sessão. O texto original "proíbe o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em estabelecimentos tipo restaurantes, churrascarias, pizzarias, petisqueiras e praças de alimentação, que sirva refeição no local". A proposta foi alterada pelo parecer da comissão de urbanismo, que acrescentou ao artigo 1º a frase: "Salvo em área destinada exclusivamente a este, devidamente isolada com arejamento conveniente". Com a mudança a matéria foi aprovada por maioria.

O projeto segue agora para a sanção do prefeito Marco Tebaldi (PSDB). Se virar lei, os comerciantes terão 180 dias para se adequar. Quem descumpri-la, pode ser punido com multa de R$ 1500 dobrando o valor em caso de reincidência, e ter o estabelecimento interditado. A fiscalização será da vigilância sanitária. Questionado sobre a aplicabilidade da lei, Marcucci disse que a prefeitura tem que dar a estrutura necessária para os fiscais. Já o vereador Odir Nunes da Silva (DEM), que votou contra o projeto foi categórico: "é mais uma lei que não vai ser cumprida".

terça-feira, 20 de maio de 2008

IPHONE AINDA É LENDA EM JOINVILLE

Anúncio dado pela imprensa é mal interpretado pelo consumidor

Após o jornal A Noticia ter anunciado que o iPhone estaria à venda nas principais lojas de Santa Catarina, os consumidores de produtos “high tech” encontraram lojas sem o produto. Isto porque a concessão comprada pela América Móvel, proprietária da Claro somente começará a vender o aparelho entre dezembro deste ano e janeiro de 2009, segundo o atendente Gustavo Ramos da Silva, 22 anos, da filial da Claro no Shopping Mueller.
“Os preços ainda não foram repassados às lojas”, afirma Rodrigo Albertão, 22 anos, atendente da mesma loja. Ele conta que, com o anúncio, muitos clientes vieram à procura do aparelho e de conhecer a nova tecnologia. Segundo a operadora de caixa Débora da Silva, 23 anos, “não foi repassada nehuma informação para os vendedores”, e somente após a chegada dos aparelhos a equipe receberá algum tipo de instrução para o manuseio da nova tecnologia.
Débora destaca que, chegando a matriz em São Paulo o aparelho é imediatamente repassado para as regionais que redirecionam a todas as filiais as instruções sobre determinados produtos e sua venda. Em Santa Catarina, as lojas recebem instruções diretas da regional situada em Curitiba. (por Rodrigo Silveira)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Ética de uso do sigilo da fonte é questão de debate

Relação repórter-fonte também é tema na mesa-redonda

O sigilo da fonte é um recurso jornalístico para todas as ocasiões, ou ele deve ser desconsiderado no caso de crimes? A questão é o ponto principal do debate que ocorrerá dia 19/05 às 19h no Anfiteatro do Bom Jesus. A pergunta nasce da discussão a que o site da Revi assistiu a partir da matéria Biblioteca do Ielusc é furtada, onde o gatuno não é denunciado sob proteção do sigilo.

De um lado, os professores de jornalismo Gleber Pieniz e Samuel Lima defendem a idéia de que o off, como o sigilo é chamado no jargão das redações, deve ser visto como opção do jornalista. Eles defendem que seu uso depende das informações da fonte e que em caso de confissão de crime deve ser abolido. Os professores Sílvio Melatti e Jacques Mick consideram o off como um dever do jornalista, e que deve ser defendido a todo custo.
O código de ética da profissão estabelece em seu 5º artigo que o sigilo é um direito do jornalista, e também, no item III do 6º artigo que o profissional deve proteger a integridade da fonte. “O uso do off depende muito da natureza da matéria”, ponderou Samuel.
Outros temas podem se destacar durante o debate: até onde pode ir a relação repórter-fonte; até que ponto o jornalista pode ir à busca de informação; e os limites de aplicação do Código de Ética.
O jornalista Marco Aurélio Braga deverá publicar na Revi um artigo contando “causos” de off, principalmente na área de política, uma das que mais empregam o recurso. Um caso de negociação do sigilo é contado pelo também jornalista Caco Barcellos em Abusado: o dono do morro Santa Marta, afirmando aos traficantes que tinha por fontes que escreveria as atividades deles em anos anteriores sob sigilo. Quanto àquilo que se referisse a planos futuros, denunciaria à polícia.
Livros e relicários
“É a sacralização do livro que ocasionou essa discussão”, afirmou o professor e jornalista Jacques Mick, “e uma sacralização que todos nós defendemos”. O furto do computador do Laboratório 3 da faculdade, na primeira semana de aulas, não teve a mesma repercussão. “O livro é uma coisa da comunidade acadêmica, onde construímos nosso conhecimento”, disse o coordenador do curso de Jornalismo, Samuel Lima.
A repórter Ariane Pereira, bolsista da Revi, publicou a matéria sobre furtos na biblioteca do Ielusc no dia 7 de maio. Enquanto cobria a pauta encontrou um dos larápios, que assumiu o roubo de dois títulos bastante procurados do escritor português José Saramago, autor de quem a repórter mais gosta. O ladrão concedeu a entrevista sob o compromisso do off. Ariane afirma que não dirá quem é WC, “primeiro, por não ser o único ladrão; segundo, pela palavra”. Segundo ela, a sigla fictícia não foi uma ironia pensada, embora assim o quisesse, mas, “algo que surgiu, simplesmente”.
Sidney Azevedo